Transtorno de Personalidade Boderline

Psicólogo Flaviano Silva CRP 05/56349

 

O Transtorno de Personalidade Boderline ou Síndrome Boderline tem sido muito falado ultimamente devido à participação de uma pessoa diagnosticada com este transtorno em um famoso reality show.

Uma pessoa foi mostrada em rede nacional com diversos surtos de agressividade e tristeza.

Na tela da TV, alguém que não estava representando um papel (pelo menos não à princípio), quebrava coisas, chegou a quebrar um batente de porta, avançou em outras pessoas e foi contida por outros participantes do programa, começou um choro explícito, alto e em meio a gritos.

As explosões aconteciam em meio a diálogos aparentemente superficiais e sem grande importância.

Tudo isso acontecia em meio ao almoço, café da manhã, uma festa, uma conversa entre amigos, no meio das tarefas diárias, etc.

O que muita gente chamava de loucura, encenação, frescura, mimimi e outros adjetivos pejorativos depois foi esclarecido que a referida pessoa sofria do chamado Transtorno de Personalidade Boderline.

Foi depois deste programa que um pouco mais sobre esta psicopatologia foi abordado nos programas de TV e redes sociais.

Transtorno de Personalidade Boderline

Existe muita confusão sobre o entendimento deste quadro. Muitas pessoas confundem o Transtorno Bipolar, que apresenta sintomas até semelhantes, com o Boderline. Porém, trata-se de algo bem diferente e específico.

O termo Boderline, aliás, já trás em si uma característica única neste transtorno de personalidade.

Boderline, em inglês, significa limítrofe, na fronteira. A pessoa que apresenta o Transtorno Boderline tem como definição uma personalidade que fica entre a neurose e a psicose.

Estas duas condições que afetam a saúde mental apresentam características diferentes. A neurose pode ser qualquer desequilíbrio na área psíquica que causa angústia ou ansiedade, mas que não prejudica o dia a dia da pessoa. De uma maneira bem simplista e generalizada, podemos dizer que todos somos neuróticos, já que em algum momento vamos nos sentir angustiados ou ansiosos diante dos desafios de nossa vida e temos dificuldades comuns de lidar com traumas e conflitos internos, porém esta inabilidade pode se prolongar por uma vida inteira sem gerar grandes comprometimentos na qualidade de vida.

Já a psicose é desequilíbrio que pode comprometer nossa qualidade de vida à medida que esta prejudica nosso pensamento, percepção e nossa capacidade de julgamento (no que se refere ao quesito certo ou errado). A psicose, diferente da neurose, pode surgir e sumir de um momento para outro. Enxergar tudo de maneira exagerada é uma das características da psicose também. É a chamada distorção da realidade.

Vale ressaltar que nem sempre quem apresenta um quadro psicótico é violento ou agressivo. São condições bem específicas e diferentes.

Episódios psicóticos podem afetar uma pessoa com ou sem doença mental. O uso de drogas pode desencadear um surto psicótico assim como um trauma, por exemplo.

É importante esclarecer estes termos para que possamos então entender o Boderline de uma maneira mais clara.

Dito isso, a pessoa que sofre de transtorno Boderline oscila entre a neurose e a psicose, ou seja, ela tem além dos sofrimentos emocionais e psicológicos que todos nós temos, ela também passa por instabilidades muito marcantes porque tem muita dificuldade na hora de elaborar o entendimento e reação frente a qualquer situação que possa provocar tanto alegria quanto raiva ou tristeza.

É extremamente mais complicado para o boder entender qual é sua natureza, seu jeito de ser. Isto porque o mecanismo que regula isso tudo não “funciona” como deveria. Tudo é intenso na hora de sentir.

Como o sentir é complicado porque tudo é demais, na hora de reagir e expor os sentimentos esta dificuldade vai aparecer ainda mais.

Sendo assim, podemos dizer que quando alguém que sofre de Transtorno Boderline e fica triste, ele fica muito, mas muito triste.

O contrário também acontece: se vem algo que o deixa feliz, alegre, o estado de êxtase aparece facilmente. Assim como quando ele fica nervoso, a explosão é quase certa.

Por isso que a convivência com quem tem esta condição é tão complicada.

Nós de uma maneira geral quando ficamos com raiva do celular que trava toda hora, por exemplo, o deixamos para lá, desligamos o aparelho e ligamos de novo, esperamos para ver se funciona agora e planejamos comprar outro ou consertar. Já o Boderline fica muito, mas muito irritado e logo pode jogar longe o aparelho.

O Transtorno de Personalidade Boderline ou Síndrome Boderline

Não é fácil regular as emoções e reações nestes casos.

Sabe quando a gente a gente diz que tem vontade estapear fulano quando ele irrita a gente? O Boderline quase não consegue controlar esta vontade. Por isso é comum as explosões, quebrar as coisas em casa ao invés de agredir alguém.

Na hora de demonstrar felicidade a situação é a mesma, quando se apaixona ele pode se tornar obsessivo atrás de quem gosta. Esta é a vida de que tem Boderline.

Por isso que o boder tende a passar por relacionamentos muito intensos e instáveis. As discussões, brigas são constantes.

Outra característica marcante é a baixa tolerância a frustrações. Quando contrariado, ele pode explodir facilmente e é bem diferente de uma pessoa que foi mimada. As explosões aqui podem não ser contidas depois de uma bronca, por exemplo.

Insônia e hipersonia (dormir muito) também podem acontecer.

O sentimento de vazio é constante, não suporta o abandono e comportamentos compulsivos podem ser comuns neste quadro. Seja na hora de gastar, ou quando faz uso de bebida alcóolica e drogas, ou na hora de se alimentar a compulsão(comer exageradamente) pode aparecer e desencadear transtornos mais graves como a bulimia e drogadicção na condição Boderline.

Uma autoimagem distorcida também é recorrente nestes casos. A pessoa traz para si a responsabilidade do comportamento do outro. Por exemplo: “ele não quis sair comigo porque eu sou feia”, “ninguém fica perto de mim porque eu sou insuportável”. A todo instante a imagem que o boder tem de si mesmo se altera porque esta depende do comportamento de outra pessoa. Por isso é comum que a pessoa mude muito sua aparência para “agradar” o outro e evitar um eventual abandono. Mudar o visual de vez em quando é mais do que natural, mas no espectro Boderline este comportamento é muito constante.

Uma vida de intensidades obviamente traz grandes prejuízos. Seja financeiro, seja no campo amoroso, familiar ou profissional, aquele que padece desta síndrome passa por muitos sofrimentos.

Deste modo, situações de automutilação, tentativa de suicídio são grandes perigos neste quadro. Além disso, a agressividade pode ficar extremamente aflorada provocando desentendimentos, brigas em qualquer local ou situação.

Quando o Boderline é exposto a algum stress, ele pode desenvolver ideias paranoides como achar que existe um complô contra ele, suspeitar que alguém o persegue ou tenta sempre prejudica-lo. Estes pensamentos são recorrentes, a pessoa não consegue simplesmente deixar para lá e focar em outra coisa.

Por isso não devemos julgar alguém quando a pessoa “dá um show”. Não sabemos exatamente o que está se passando ali, no íntimo daquele indivíduo. Pode se tratar da expressão de um grande sofrimento psíquico.

Este é um dos transtornos mais graves que estão catalogados no CID 10, ou Classificação Internacional de Doenças Mentais. As estatísticas mais recentes dão conta de que cerca de 10% de pessoas que tem Transtorno Boderline cometem suicídio segundo a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

Pessoas imprevisíveis, complicadas, difíceis, dramáticas, egoístas, antissociais, mimados. Estes são os rótulos mais comuns dados aos boders. Nesta lista de preconceitos entram outras expressões ainda como: frios, estranhos, esquisitos, com mania de perseguição.

O Transtorno de Personalidade Boderline ou Síndrome Boderline

Nas estatísticas mundiais (não existe ainda estatísticas referentes somente ao Brasil), estima-se que 2% da população sofre de Transtorno Boderline.

Porém existem estudos que elevam esta estatística para cerca de 5,9%. Esta variação ocorre porque ainda é muito difícil o diagnóstico adequado da doença.

Nos consultórios ou ambulatórios de psiquiatria os números são ainda maiores: 20% têm a síndrome.

É mais frequente o diagnóstico em mulheres, porém há de se considerar que as mulheres têm mais facilidade para procurar ajuda médica do que os homens. Muitos homens que acabam mortos em brigas ou presos em brigas, confusões ou crimes violentos podem padecer deste transtorno e nem tem noção disso.

Geralmente os casos acontecem mais em indivíduos adultos e os sintomas tendem a diminuir com a idade. O problema é que estes sintomas podem expor a pessoa a riscos de morte facilmente. São riscos tanto para quem sofre da doença quanto para os que passam pela vida desta pessoa.

O que Fazer?

A primeira providência ao se perceber um descontrole na expressão de emoções de maneira constante e que acabam por causar algum tipo de prejuízo é buscar ajuda profissional.

Somente o profissional de saúde mental (Psicólogo ou Psiquiatra) está apto a diferenciar uma crise na adolescência ou situacional, por exemplo, de um Transtorno Bipolar ou Boderline de maneira segura.

Se a pessoa ou você não consegue parar em nenhum emprego, se sente sempre à flor da pele a ponto de explodir, se o consumismo ou a compulsão na hora de se alimentar é uma constante; é preciso reaprender a assimilar as situações e suas respectivas reações.

Beber até cair, se cortar, se machucar conscientemente é um modo de deslocar a dor psíquica para a dor física e estes são comportamentos muito comuns entre os que sofrem com este transtorno.

a pessoa que sofre de transtorno Boderline oscila entre a neurose e a psicose, ou seja, ela tem além dos sofrimentos emocionais e psicológicos que todos nós temos, ela também passa por instabilidades muito marcantes porque tem muita dificuldade na hora de elaborar o entendimento e reação frente a qualquer situação que possa provocar tanto alegria quanto raiva ou tristeza.

Caso o psicodiagnóstico de Transtorno de Personalidade Boderline seja confirmado pelo psicólogo ou psiquiatra, é preciso entrar com uma medicação que vai, de primeiro momento, estabilizar o humor.

Depois de uma média de quatro semanas usando a medicação correta, os episódios de descontrole tendem a diminuir bastante. É neste momento também, com a medicação fazendo efeito, que o tratamento funciona ainda melhor, pois a ansiedade e angústia são tantas, que fica mais difícil a terapia com o boder no início do tratamento. Ele tem dificuldade em ouvir.

A chamada “escuta fechada” é um grande dificultador na hora de ajudar a pessoa em crise. Mas é preciso paciência, cuidado com as palavras e entender que o outro está agindo daquela forma porque é uma doença. Ele pode não ter a mínima noção do que acontece com ele, do porque age deste modo.

Após as crises o sofrimento continua, pois existe aquela “ressaca moral” do típico “puxa vida, por que eu fiz aquilo?!”. Então, os episódios depressivos aparecem com toda força.

Sentimento de culpa, vergonha, tristeza, angústia, tudo chega junto e acaba por deixar o indivíduo muito abatido. Daí vem a apatia, a tendência a se isolar, não conversar com ninguém.

O Transtorno Boderline é uma doença mental que ainda causa muita estranheza aos demais. É difícil entender e aceitar a condição do outro.

Ao mesmo tempo é extremamente fácil julgar o boder como uma pessoa mimada, mal acostumada, louca, perturbada e até “possuída” em alguns ambientes religiosos.

O processo psicoterapêutico vai fazer com que a pessoa entenda exatamente o que é este transtorno, como funciona, quais os fatores podem desencadear as crises nela, como lidar com frustrações e evitar os chamados “gatilhos”: situações ou comportamentos que desencadeiam as crises mais facilmente.

O termo Boderline, aliás, já trás em si uma característica única neste transtorno de personalidade.

Além disso, a medicação vai permitir um melhor entendimento disso tudo. A pessoa vai parar para ouvir realmente.

Outra coisa importante a ser dita é que os medicamentos psicotrópicos ou os chamados “tarja preta” nem sempre vão dopar a pessoa ou causar a chamada dependência.

Se usados corretamente, com a dose recomendada, estes remédios é que vão permitir uma vida “normal” para quem tem Síndrome Boderline. A atenção, concentração e as emoções serão reequilibradas, ou seja, vão oscilar, mas de maneira saudável como acontece com as demais pessoas que não sofrem deste transtorno.

Ainda existem muita confusão e preconceito no campo das doenças mentais. Isto ocorre porque ao contrário de uma doença física que aparece nos exames ou no corpo de maneira clara, estas condições não aparecem de maneira clara.

Por isso é sempre importante procurar saber mais e através de uma fonte segura de informação sobre este imenso universo que é a psiquê humana. Somente com empatia e informação podemos lidar de maneira equilibrada tanto com o Transtorno de Personalidade Boderline quanto com outras psicopatologias que acometem tantas pessoas ao nosso redor e assim poderemos ajudar ou ser ajudados com mais eficiência e solidariedade.

 

Psicólogo Flaviano Silva CRP 05/56349
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