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Psicólogo Flaviano Silva CRP 05/56349

Desde muito cedo aprendemos que todo casamento ou relacionamento é cheio de alegrias, carinhos e gestos fofos em datas especiais.

Seja em novelas, contos de fada, filmes ou livros, as histórias de casais que são almas gêmeas, metade da laranja, o feijão do arroz estão sempre presentes no imaginário coletivo.

Estas inspirações acabam por nos fazer realmente acreditar que relacionamentos são perfeitos, que existe uma pessoa que se encaixará perfeitamente em nossas vidas com jantares românticos, cafés na cama e reuniões em família alegres ao melhor estilo  propaganda de margarina.

Mas um dia acordamos para a realidade nada glamorosa de um relacionamento amoroso.

Ao contrário de príncipes e princesas cheios de virtudes e coragem, levamos um choque quando percebemos que a outra pessoa foi capaz de algo que derruba qualquer sonho em matéria de romantismo: traição.

Uma decepção desta natureza consegue abalar os mais otimistas e os mais seguros de si.

Ninguém passa imune por um trauma deste. Descobrir que a pessoa em quem se confiou um dia foi capaz de colocar tudo a perder por alguns momentos de prazer ou satisfação pessoal traz sentimentos muito dolorosos como tristeza, raiva, revolta, mágoa.

É como sair do céu ao inferno de uma vez só.

O coração aperta, as lágrimas jorram e entramos em um estágio de vida muito semelhante ao luto. A diferença é que, no caso, a pessoa envolvida está viva e às vezes, continua na nossa vida e pedindo perdão, querendo retomar o relacionamento.

Mas e daí? Será que devemos perdoar uma traição? Será que vale a pena continuar este relacionamento?

Estas perguntas só quem poderá responder, é você.

Mas podemos dar uma força esclarecendo melhor o que é esta situação, como lidar com isso e qual a melhor opção quando se passa algo assim.

A primeira coisa a se fazer ao descobrir uma traição parece muito óbvio, mas é pertinente: permita-se sofrer.

Claro que você vai sofrer. E muito. É uma dor que parece até física. Às vezes a pessoa realmente passa mal, tem uma crise hipertensiva, dor de estômago, cefaleia, falta de ar. Isso tudo são os sintomas psicossomáticos, ou seja: males físicos desencadeados por um conflito interno.

É preciso se permitir um tempo sozinho para assimilar tudo o que aconteceu, como aconteceu e entender como foi isso tudo. O que eu sinto a respeito, como quero encarar isto tudo, como encarar o companheiro depois disso.

Não adianta prolongar uma discussão logo depois da descoberta, pois os ânimos estarão alterados e quando nervosos falamos (e ouvimos) coisas que machucam demais, que são desnecessários e podem complicar ainda mais a situação do casal.

Sendo assim, é melhor se recolher um pouco, ficar sozinho e sofrer, refletir para só depois decidir como agir após uma decepção tão grande.

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Passado o impacto inicial, é hora do diálogo.

Independente de você querer ficar ou não com a pessoa que traiu, é importante resolver este conflito para que não fique nenhum mal entendido, nenhuma situação mal resolvida. Já basta a mentira vivenciada através desta traição.

Quando nos decepcionamos com alguém, temos a necessidade de entender o que foi que aconteceu. Onde está ou estava o problema que acabou por desencadear uma traição.

Até porque, traição é uma situação que apesar de ser tão dolorosa, nos ensina muito a respeito de quem somos e como devemos agir em situações desafiadoras que envolvem quebra de confiança, raiva e mágoa.

Caso você tenha um amigo próximo e de confiança, talvez seja interessante conversar, desabafar antes de conversar a sós com o companheiro.

Esta conversa entre amigos pode ajudar a clarear as ideias, a enxergar tudo com mais definição e objetividade.

Dito isso, depois da descoberta da traição, é muito importante estar seguro de que quem errou foi a pessoa que traiu. Esta pessoa teve o livre arbítrio para decidir se ficava ou não com alguém fora do relacionamento.

Não se deixe envolver pelos versos de famoso compositor que diz “ te perdoo por te traíres”.  Não é bem assim que acontece.

Desejo, atração são aspirações que podem acontecer sim quando a pessoa ama alguém. Desejar outra pessoa, se sentir atraído pode ocorrer; mas escolher trair, aí já é um passo a mais. Depende de caráter, vontade, lealdade. Não existe verdade na expressão “a carne é fraca”. A carne (ou o corpo) só faz o que a mente manda.

Ninguém pode se culpar ou se responsabilizar pelo erro de outra pessoa. Claro que a parte traída pode ter cometido erros, falhas ou ter deixado o relacionamento de lado por algum motivo levando o outro a se sentir sozinho ou carente, mas ninguém o obrigou a ficar com outra pessoa.

Se o relacionamento estava ruim ou desgastado por algum motivo, seria hora de se conversar, falar sobre o que desagrada e o que poderia ser feito. Esta é uma atitude madura e razoável quando existe a vontade de se manter a relação.

Crises existem sim, às vezes temos vontade de sumir, o outro começa a nos irritar demais, ficamos até saturados da cia do outro; mas para tudo isso existe solução.

Pode-se escolher dar um tempo para avaliar se vale a pena, pode-se fazer uma viagem juntos para mudar a rotina e redescobrir o companheiro, pode-se propor uma terapia de casal, pedir conselho à amigos, etc. A alternativa de trair, foi escolhida pelo outro, ele não foi obrigado. Ocorreu um erro, é preciso que se assuma, mas sem grandes dramas ou cenas de novela mexicana.

Não existe relacionamento sem crise nenhuma. Casais discutem, brigam, ficam sem se falar. Tudo isso faz parte da adaptação de uma vida em comum e é bom que isso fique bem claro para evitar sofrer além do esperado.

A história do felizes para sempre não existe e quando vemos um casal de idosos fofos de mãozinhas dadas temos de ter consciência de que muita coisa já aconteceu ali: brigas, desencontros e talvez até traições. Pois errar é do ser humano.

Dito isso, é hora então de encarar os fatos.

A Conversa sobre a traição

É essencial conversar sobre o ocorrido.

Acalmados os ânimos depois de um tempo, é hora sentar e dialogar.

O que aconteceu? Por que você acha que você fez isso?

Perguntas como estas vão direcionar a conversa para um objetivo: entender como tudo foi acontecer. Assimilar o que pode ter acontecido de errado na relação ou até, encarar que talvez a pessoa simplesmente prefira não ser fiel mesmo. É uma escolha do outro e, se for o caso, é preciso respeitar esta escolha.

Mas é algo mais valioso ainda respeitar a si mesmo. Respeitar quem você e como você quer viver ao lado de alguém. Cabe a você optar se aceita outras possíveis traições ou não.

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Talvez seja até o caso de terminar o relacionamento mesmo ainda gostando da pessoa que traiu. Mas se você perceber que se corre o risco de passar por isto novamente é melhor sofrer de uma vez só, no término, do que plantar esperança de uma mudança e colher espinhos de tempos em tempos.

Depois de esclarecidos os fatos, é preciso então avaliar se vale a pena continuar.

Esta avaliação é feita com o que você sente no momento. Se sente firmeza no outro, se você percebeu que realmente houve arrependimento.

Caso escolha continuar o relacionamento, as atitudes do outro vão mostrar se ele está ou não disposto a resgatar a confiança, se ele realmente se arrependeu.

Caso tenha sido o outro quem lhe revelou a traição por não conseguir lidar com a culpa de ter feito isto, existe grande chance de se resgatar o relacionamento porque a confissão é admitir o erro, é querer mudar realmente.

Por outro lado, se a traição foi descoberta e não revelada pela outra parte, analise com mais calma os sinais do outro. Saiba que isso vai levar tempo. É preciso tempo para que se possa perceber se a pessoa realmente se mostra diferente, disposta a reparar o erro ou até mesmo se você consegue lidar com a traição sofrida.

Depois de ser traído, é de suma importância analisar se você realmente conseguiu perdoar. Se em toda discussão você traz à tona a traição sofrida, então você não está pronto para perdoar. Não por enquanto.

Se depois da traição você sente necessidade de vigiar os passos do outro, fiscalizar rede social, celular, amizades e tudo o mais, é bom então reavaliar se vale a pena continuar. Pois estes sinais mostram que você não consegue lidar com isso neste momento.

Vale lembrar que perdoar não significa esquecer. Perdoar é receber o erro, suas consequências e seguir em frente com a consciência de que o tempo vai mostrar se o perdão aconteceu realmente ou não. E ainda, se valeu a pena continuar o relacionamento.

Quando ocorre o perdão, fica sim uma cicatriz, mas o ferimento foi fechado. Não se fala mais nisso. Mas este “não se fala mais nisso” é uma atitude sem peso, sem cobrança, sem transformar o corrido em um tabu. Simplesmente ficou para trás.

Outra atitude a ser tomada é deixar bem claro que outro erro como este não será tolerado. Que o relacionamento acaba caso o fato se repita.

A traição oferece a oportunidade de deixar tudo às claras, sem dúvidas e mal entendidos.

Ouça com atenção o que o outro tem a dizer. Não é porque ele errou que ele automaticamente perdeu toda credibilidade. Aprenda com o que foi dito e assimile o que você acha coerente.

De repente você pode enxergar algumas falhas no relacionamento que você não havia percebido antes.

Ás vezes o casal se acostuma com alguns programas de fim de semana que acabam por deixar a vida a dois chata, sem graça. Se todo domingo tem almoço na sogra, por exemplo, o outro pode acabar inventando desculpas para não ir ao invés de propor uma mudança. O medo de magoar o outro dizendo que prefere não ir cria um comportamento mentiroso que pode abrir uma brecha para mentiras menores posteriormente.

Este foi só um exemplo simples, mas vale a reflexão sobre o quanto é importante deixar claro o que se quer ou não fazer; pois ao se comportar assim o outro não precisa mentir, não precisa tentar adivinhar o que você sente a respeito das situações e você não precisa inventar desculpas para evitar algo.

Pequenas mentiras reunidas funcionam como um verdadeiro caminho para uma traição.

Acontece um descontentamento, um desconforto, uma teimosia e por fim, a pessoa se sente sufocada e vai buscar novos ares. Lembrando que isso vale para os dois lados.

Aliás, a empatia tem que estar sempre presente na vida a dois. A traição ocorre mais facilmente se não existe empatia no relacionamento.

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Se colocar no lugar do outro, pensar se fosse você naquela situação como você iria se sentir é um comportamento chave para relações bem sucedidas com chances menores de traição.

Podemos dizer que traição tem perdão sim, tem como lidar com isso.

Vai acontecer o sofrimento, a decepção, a raiva e uma cicatriz emocional, mas isto tudo faz parte do processo de amadurecimento.

Só podemos saber se perdoamos ou não passando pela situação. É na hora que vamos saber como nos comportaremos.

Não adianta imaginar que se pode perdoar ou não, a realidade é completamente diferente e única.

Traição é passível de perdão , mas o perdão só existe realmente se a pessoa traída conseguiu seguir em frente. Se ela consegue se lembrar do ocorrido sem vontade de chorar, de agredir o outro e consegue lidar com a pessoa que traiu sem mágoa ou desconfiança constante, aconteceu o perdão real.

Caso seja muito difícil perdoar, não se cobre tanto. Tudo tem seu tempo e você tem também o direito de escolha. O outro não pode exigir de você respostas e decisões rápidas. Respeite seu tempo, seu jeito de lidar com isso.

Continuar ou não com a pessoa que traiu é uma decisão que deve ser tomada por você e para você. Não será pelos filhos, pela família, pela aparência que pode ficar “manchada” lá fora; nada disso. O perdão é só seu e você escolhe oferecê-lo quando e para quem quiser.

 

Psicólogo Flaviano Silva CRP 05/56349
Terapia de Casal e Relacionamentos
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