As Aventuras de Peter Pan é uma história famosa no mundo inteiro que conta as aventuras de um jovem chamado Peter Pan que se recusa a ficar adulto e percorre o mundo atrás de aventuras mágicas.

Criado originalmente em 1911 pelo escritor inglês James Matthew Barrie para uma peça teatral, o sucesso foi tanto que as aventuras do menino que nunca crescia acabaram se transformando em livros, filmes, musicais que encantam crianças e adultos até hoje em dia.

O comportamento e atitudes do personagem fictício foi inspiração para o psicólogo norte americano Dan Kiley, em 1983, publicar o livro Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up, ou em tradução livre, Síndrome de Peter Pan: O Homem Que Nunca Cresce.

Em anos trabalhando com crianças e jovens, Dr.Kiley percebeu desvios de comportamento através de seus atendimentos e pôde perceber que muitos destes jovens e crianças mostravam exatamente uma dificuldade exarcebada em crescer e assumir responsabilidades como adultos.

Foi daí que o profissional de saúde mental buscou inspiração para seus estudos e para o livro que posteriormente se tornou um best seller.

A grande dificuldade em se perceber como um adulto e de se desligar totalmente de sua personalidade infantil para aí sim poder amadurecer e crescer de verdade é o que caracteriza a Síndrome de Peter Pan.

Esta dificuldade é que faz com que este indivíduo se comporte de forma imatura e infantil com rebeldia e inconsequência exigindo ser aceito, acolhido e compreendido.

Esta resistência em se tornar adulto é mais comum nos homens e pode afetar muito a qualidade de vida.

A vida amorosa, profissional, acadêmica ou social serão muito prejudicadas caso este comportamento continue.

Embora fisicamente o indivíduo cresça, a sua mente mostra continuamente atitudes e comportamentos típicos de quem ainda habita a infância.

Atitudes como não assumir o papel de pai, marido ou profissional deixam evidente a recusa em assumir responsabilidades através de um mundo particular criado e mantido por anos onde os comportamentos infantilizados ainda comandam seu modo de agir.

Alguns hobbies, hábitos, brincadeiras ou preferências alimentares se mostram assim ainda muito ligados à primeira fase de sua vida.

Aparece também uma dependência emocional dos pais muito evidente além de problemas de ordem sexual, afetiva, psicológica, social e financeira que deixam muito claro a dificuldade em amadurecer e honrar compromissos sejam de ordem pessoal ou profissional.

O narcisismo é muito presente no indivíduo. Isto o torna muito egoísta, buscando quase sempre a satisfação apenas de seus anseios e aspirações o que acaba por impedir o desenvolvimento de relações amorosas por muito tempo.

Entre todos os problemas que o indivíduo que desenvolve a Síndrome de Peter Pan pode vir a ter, sem dúvida o maior deles está na imensa dificuldade em criar e manter relacionamentos saudáveis.

Isto porque as parceiras buscam um homem ao seu lado que a protejam, cuidem delas, que as compreendam, mas os “Peter Pans” agem como verdadeiros filhos.

Elas não querem assumir uma criança grande que é um poço de teimosia, egoísmo e insegurança.

Pode haver um relacionamento mais duradouro caso este indivíduo acabe por encontrar uma parceira que tenha desenvolvido o chamado Complexo de Wendy (referência a personagem feminina que tem uma relação emocional forte com Peter Pan na história infantil).

As mulheres que desenvolvem o Complexo de Wendy assumem por alguma razão, a figura materna em qualquer tipo de relação.

Elas sentem necessidade de cuidar, se anulam com mais facilidade, buscam satisfazer quem está ao seu lado.

Assim, quando os dois se encontram podem desenvolver um relacionamento mais duradouro cada qual no seu papel. Um seria o filho e a outra, a mãe.

Mas de uma maneira geral, quem tem Síndrome de Peter Pan não consegue desenvolver nenhum tipo de relacionamento interpessoal, não só os amorosos.

Mesmo as amizades, as relações de trabalho se mostram muito complicadas já que uma das partes não se mostra disposto a ceder, não quer deixar o seu ponto de vista ou suas preferências de lado.

Por isso que é comum estes indivíduos ficarem sozinhos, se manter solteiros quando a maior parte de seus conhecidos já estão envolvidos em relações amorosas mais substanciais.

Construir e manter vínculos para os “Peter Pans” é extremamente complicado.

A vida profissional também é outra área da vida que terá extremas dificuldades, afinal de contas é neste departamento que estão as constantes cobranças e grandes responsabilidades.

A falta de maturidade em aceitar e digerir frustrações e feedbacks negativos vão comprometer ainda mais sua realização profissional.

A Síndrome de Peter Pan não está inserida no DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) por isso diagnosticá-la é mais complexo.

Isto porque não é considerada uma doença, uma psicopatologia.

Ela em si, não causa diretamente nenhum problema de saúde em quem a desenvolve.

O que acontece na prática é que ao manter um comportamento imaturo por grande parte de sua vida, a qualidade de sua existência acaba por ficar comprometida devido a esta dificuldade nas suas relações sociais de toda ordem. 

Entretanto, alguns comportamentos podem tornar mais fácil a constatação ou diagnóstico da Síndrome de Peter Pan.

Quando o indivíduo passa por algum trauma ou abalo muito forte na chamada primeira infância (entre zero e seis anos de idade, mais ou menos) como, por exemplo, problemas de relacionamento com os pais, abusos ou abandono, síndrome possibilita o uso de uma personalidade infantil para receber mais atenção e cuidados que não foram oferecidos quando este era uma criança.

Em crianças que não puderam aproveitar a infância como deveriam, como aquelas que trabalharam nesta fase ou tiveram de assumir responsabilidades muito cedo, por exemplo, o comportamento infantilizado é uma espécie de tentativa de voltar à esta época que não foi aproveitada como deveria.

Uma figura clássica no mundo das celebridades que pode ser representar muito bem quem desenvolveu a Síndrome de Peter Pan é o famoso cantor Michael Jackson.

Este começou a trabalhar desde os seus cinco anos de idade sob uma criação rígida de ensaios e rotinas duras, que eram exigências de seu pai.

Inclusive biografias do cantor trazem informações de trabalho escravo proporcionado pelo pai que ainda o maltratava assim como os seus irmãos com uma rotina de ensaios por horas a fio sem deixar tempo algum para que as crianças pudessem viver sua infância.

O resultado disso além do sucesso de Michael foi uma vida cercada de um consumismo desenfreado, uma mansão onde foi construído um parque temático de nome Neverland, como na história de Peter Pan e relações amorosas conturbadas e conflituosas.

Quando teve filhos, ele preferiu que as crianças ficassem sob o cuidado de sua mãe, avó das crianças e de babás.

As suas amizades, eram de adolescentes e crianças.

Michael Jackson é o caso mais claro e até caricato da Síndrome de Peter Pan. Inclusive é também o exemplo de uma trajetória pessoal muito triste, apesar de todo sucesso.

Podemos afirmar que o diagnóstico da Síndrome de Peter Pan é bem complexo.

As causas para seu desenvolvimento são muitas, são multifatoriais.

Cada caso é um caso, pois o quadro vai depender muito da cultura, da educação e do contexto em que o indivíduo está inserido.

De uma maneira geral, podemos ponderar que uma criança criada por pais permissivos, com pouca noção de limites e responsabilidades tem uma chance aumentada de desenvolver a Síndrome de Peter Pan.

Porém, não tem como precisar que isto aconteça porque conforme dissemos anteriormente, uma série de fatores é que poderão determinar o quadro.

Mas podemos sim constatar que a modo de criação e educação da criança é o ponto de referência para averiguar se o indivíduo desenvolveu ou não a síndrome.

A partir do momento que a maturidade emocional da criança é adiada evitando que esta seja exposta á frustrações ou que esta assuma responsabilidades por seus atos, os pais estão formando uma personalidade de imaturidade que perdurará por muito tempo.

Sendo assim, além de tantas outras consequências desastrosas para a criança que não recebe limites e punições adequadas, a Síndrome de Peter Pan vai acabar por encontrar espaço na personalidade daquele que foi levado a acreditar que o mundo deveria corresponder aos seus anseios.

Os homens que apresentam comportamento com traços de imaturidade com frequência, perfil mais egoísta ou narcisista, apego ou dependência financeira e/ou emocional dos pais, além de uma autoestima baixa, teimosia, pouca responsabilidade e extrema dificuldade para criar vínculos com outras pessoas e principalmente dificuldade nas relações amorosas tem grandes chances de apresentar a Síndrome de Peter Pan.

Não é simples de se fazer esta ligação entre os comportamentos típicos e a síndrome. Muitas vezes somente depois de anos de sofrimento emocional decorrente de relações frustradas e episódios de insucesso pessoal e profissional que a pessoa passa a desconfiar de que algo está fora dos eixos.

Alguns pontos podem ser percebidos com mais facilidade do que outros e ao ligar cada um destes podemos desconfiar que existe possibilidade maior da pessoa ter desenvolvido a Síndrome de Peter Pan:

  • Autoestima baixa;

  • Insegurança;

  • Necessidade de chamar atenção;

  • Egoísmo;

  • Desistem logo na primeira dificuldade;

  • Insatisfação constante;

  • O círculo de conhecidos com quem se relaciona são de pessoas mais novas;

  • Gostam de dar ordens, criticar;

  • Frequentemente arrumam desculpas para tudo;

  • Comportam-se como crianças;

  • Não conseguem assumir responsabilidade;

  • Choram com facilidade.

Estas características reunidas provavelmente estão presentes nos Peter Pans em sua totalidade, geralmente.

Comportamentos que aparentam arrogância destes indivíduos na verdade escondem uma imensa fragilidade emocional.

Ao mesmo tempo, a criatividade e curiosidade são muito ativas porque na verdade, a maior parte do tempo sua consciência fica em um mundo de fantasias onde ele não precisa se preocupar com muita coisa.

Por ter uma autoestima mais reduzida, eles se esforçam muito para obter admiração e aprovação das outras pessoas se comportando sempre com uma aparente leveza, sempre com sorrisos e uma falsa segurança em suas atitudes.

Sua dissimulação constante no intuito de disfarçar grandes tristezas, mágoas e frustrações faz com que sua mente seja um vasto mundo de conflitos recorrentes.

Isto porque ele finge estar muito bem, não deixa transparecer que foi deixado de lado ou talvez traído em algum relacionamento, mas o sofrimento, a dor de uma decepção está presente mesmo quando ele não mostra este sentimento.

A troca de parceiros é uma constante porque é muito difícil se relacionar com alguém que precisa de atenção o tempo todo e não está disposto a dar atenção em troca.

Porém, quando envolvido, ele tem extrema dificuldade em desapegar.

O apego emocional é maior nestes indivíduos.

Cabe salientar que mesmo que estes comportamentos sejam constantes e chamem a atenção, não é fácil para quem sofre desta síndrome perceber isto.

Eles costumam colocar a culpa dos próprios insucessos nos outros. Por isso olhar para si mesmos na hora do erro é mais difícil.

Mesmo que percebam que estão errados, que cometem sempre o mesmo erro, não é fácil se policiarem.

Pode haver agravantes em longo prazo devido a esta dificuldade de relacionamento desencadeada pelos seus comportamentos narcisistas.

Transtornos de humor e depressão podem aparecer aí depois de tantos conflitos nesta eterna busca pela felicidade que só era possível na infância.

Por isso o risco do uso de drogas e abuso das drogas lícitas é altíssimo.

A constante habilidade em desviar das consequências de seus próprios atos faz com que quem tem a Síndrome de Peter Pan não consiga realmente evoluir enquanto pessoa.

Isto porque a premissa básica para evolução pessoal de qualquer um é reconhecer seus próprios erros, defeitos e falhas e melhorar.

Se a pessoa sempre desloca a responsabilidade de seus erros para outro, então ele nunca vai enxergar o que precisa ser melhorado em si mesmo.

Quando pensamos no comportamento de adolescentes típicos podemos detectar facilmente alguns padrões que os Peter Pans mantém como por exemplo: rebeldia, reclamações constantes, apatia na hora de organizar algo, tendência a mentira, impulsividade, busca constante por aprovação de um grupo, dificuldade em lidar com regras, acreditam que o outro tem obrigação de ajuda-los, etc.

No que se refere a vida profissional, a instabilidade é uma constante. Mudam de emprego constantemente pelos mais diversos motivos que eles mesmos criam: o chefe está explorando, os colegas tem inveja dele e não suportam ver seu talento, a empresa é pequena demais para alguém como eu, etc.

A falta de comprometimento com tarefas um pouco mais complexas, que exigem mais empenho é a maior dificuldade (além do relacionamento interpessoal) no ambiente corporativo.

Quando envolvidos em um relacionamento afetivo, não demonstram seu interesse na pessoa amada e ao mesmo tempo criam uma dependência extrema em relação a companheira.

Embora muitas sejam as hipóteses para explicar o porque do desenvolvimento da Síndrome de Peter Pan, não é possível saber exatamente em que momento a pessoa passou a manifestar este tipo de comportamento.

Além das possibilidades da superproteção na infância e algum trauma ou situação que acabou por não proporcionar uma infância adequada ao indivíduo, as transformações sociais podem ter contribuído para o aumento destes casos hoje em dia.

O consumismo e imediatismo que a evolução tecnológica e as mídias sociais trouxeram podem ter relação com o aumento da incidência deste comportamento infantilizado.

Ao facilitar o acesso a produtos e serviços o indivíduo parece ter deixado de lado a necessidade de se esforçar para conseguir algo melhor.

O ego passou a ser satisfeito através de vários produtos e serviços que não são tão importantes mas que conseguem atrair atenção e mudar o foco ou eliminar os grandes sonhos de projetos maiores de vida que antes eram comuns de se manter na infância e juventude.

Seguir uma carreira, se manter no mesmo caminho atrás de um grande empreendimento tem sido cada vez mais raro hoje em dia.

Isto facilita a manutenção de um comportamento mais infantilizado que depende de outras de pessoas para satisfazer suas necessidades.

As pessoas passam a se contentar com o que podem ter com maior facilidade e não mais com o que exige mais empenho.

Isso fortalece a falta de compromisso, não se cria raízes em uma ou outra empresa e existe a sensação de que se trabalha só por trabalhar e que quando houver insatisfação, é só mudar de emprego ou função.

O fato de o país passar por uma crise pode ser uma ótima desculpa para os que possuem o comportamento infantilizado tenham em quem jogar a responsabilidade pelo seu fracasso profissional ou financeiro.

O tratamento para começar a amadurecer e buscar mais harmonia em sua vida pessoal, amorosa e profissional é reconhecer que existe um problema de comportamento.

É necessário buscar tratamento psicoterápico, uma terapia para que seja possível identificar em que momento foi que o medo de crescer tomou conta do indivíduo.

É importante sempre procurar ajuda profissional para que o autoconhecimento possa trazer maiores informações e proporcionar uma reconstrução de significados pessoais.

Sendo assim a psicoterapia se faz muito necessária e somente o acompanhamento psicoterápico de um profissional da saúde mental poderá esclarecer em que circunstâncias estes comportamentos começaram, por qual motivo e como fazer para que tais atitudes sejam ressignificadas, modificando o modo de entender as relações e os comportamentos de acordo com as necessidades que o momento atual de maturidade exige.

A falta de responsabilidade, relacionamentos complicados e uma vida de sofrimento podem ser sanados quando percebemos que alguns comportamentos são mantidos na tentativa incessante de ser feliz, mas que na verdade, trazem este tipo de felicidade já não condiz mais com o momento e necessidades atuais.

Mas é válido lembrar que cada um tem seu ritmo de amadurecimento.

Algumas pessoas amadurecem mais rápido do que outras, mas todas vão amadurecer e assumir responsabilidades e compromissos um dia.

Caso isso seja um processo extremamente complicado, é preciso atentar para a possível existência de tentativas de se manter de todo jeito em um mundo infantil.

Ainda que não seja considerado um transtorno mental devidamente catalogada, a Síndrome de Peter Pan é uma condição que traz muitos sofrimentos tanto para a pessoa que a desenvolve quanto para as que convivem com ela.

Devemos lembrar, no entanto, que jamais devemos nos desligar do que a infância nos proporcionou e que eventualmente uma mania ou gosto mais infantil é mais do que normal.

O que traz problemas é se manter-se somente no modo infantil que exige a satisfação de seus desejos e não assume nenhuma responsabilidade.

Uma infância saudável, bem vivida nos motiva a crescer, a nos superar cada vez mais.

Nossa motivação é construída desde a infância e as frustrações, as corrigendas que nossos pais nos deram são ferramentas indispensáveis na nossa formação enquanto adultos.

Se você convive com alguém que parece ter a Síndrome de Peter Pan, o apoio e a paciência são indispensáveis.

As constâncias no apoio, na hora de dizer verdades necessárias vão instigar a busca por ajuda.

Empatia é outro fator imprescindível, pois devemos lembrar que o indivíduo não é assim porque quis, ele simplesmente desenvolveu um jeito de ser que o atrapalha muito e precisa entender que é hora de elaborar seu jeito de se comportar novamente.

Apoie esta pessoa, se mostre disposto a continuar ao seu lado para que ele busque ajuda.

É difícil e trata-se de todo um processo o despertar do Peter Pan para perceber que ele precisa mudar e que já não existe mais a condição para ser feliz se comportando do mesmo jeito.

Até mesmo o modo adulto de comportar próximo aos que estão fixados na infância pode ajudar.

Ao perceber que uma pessoa a qual ele estima muito cresceu, possui responsabilidades, está se dedicando a um projeto ainda maior o projetando profissionalmente talvez ele encontre a motivação que precisa para realinhar suas ambições de acordo com a realidade.

Sendo quem está preso à infância ou quem tem uma pessoa querida que passa por esta dificuldade, o importante é sempre buscar se conhecer melhor e despertar para o que pode ser melhorado no que se refere a comportamento.

O equilíbrio sempre é a chave para ser feliz e manter os que amamos neste mesmo propósito.

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