Desde os primórdios da evolução humana levamos, no mínimo, 50 mil anos para desenvolver a habilidade de falar, de nos comunicar.

Embora possa parecer simples, o ato de falar, de expressar uma única palavra implica em inúmeros processos cerebrais, movimento de vários músculos sem falar na memória e capacidade de agrupar palavras de modo que estas façam sentido durante a comunicação.

Um processo tão esplêndido e magnífico como o falar é o que pode manter alguém dentro ou fora de um grupo social, permite exercer a arte da música, poesia, literatura, etc.

Tão fascinante quanto complexo, o falar precisa caminhar junto com nossos valores morais, com comportamentos que visam manter a harmonia através do exercício da empatia.

Em tempos onde a comunicação é muito rápida e a mensagem chega ao receptor em segundos não importando a distância entre duas pessoas, algumas ponderações precisam ser levadas em consideração a fim de valorizar a capacidade de se comunicar verbalmente o máximo possível.

Se fazer entender é algo que pode ser bem complicado quando inseridos em uma sociedade tão adversa a que estamos inseridos e tão variada no que diz respeito as emoções que cada indivíduo neste meio possui e expressa.

Por isso ao refletir sobre quais os efeitos das palavras em outras pessoas precisamos entender premissas básicas de educação e expressão verbal a fim de evitar que uma relação amigável ou amorosa adquira cicatrizes que vão comprometer para sempre a convivência ou até mesmo acabam de vez com uma amizade.

É comum ouvir expressões do tipo “falo a verdade porque sou sincero”, porém esta afirmativa geralmente vem carregada de conotações de arrogância a incapacidade de empatia.

Obviamente que podemos falar de tudo com as pessoas, mas o que vai determinar se o que eu disse é algo útil ou se vai ajudar é o modo como eu faço isso.

Não existe, em absoluto, nada que não possa ser dito. Quando eu escolho as palavras, pondero e consigo fazer uso da Inteligência Emocional na hora de me expressar eu só obtenho ganhos.

Muitas vezes dizemos uma coisa e a pessoa entende algo completamente diferente.

Estes ruídos na comunicação podem acontecer muitas vezes.

Certa vez, em uma reunião de escola, a Psicóloga da instituição ficou encarregada de conversar com uma mãe de um menino que dava muitos problemas, era muito cheio de energia e tinha problemas de disciplina no colégio.

Depois de marcar e remarcar uma reunião com esta mãe e ela não comparecer, na quinta tentativa ela foi à reunião.

Uma mãe humilde, com mais 3 filhos pequenos, criava as crianças sozinha.

Os professores já sabiam um pouco sobre o histórico familiar ali envolvido.

Enfim, a reunião começa e a Psicóloga encarregada começa a conversar com esta mãe:

– Dona Fulana, nós a chamamos aqui para que possamos conversar sobre o comportamento de seu filho, que vem trazendo alguns problemas tanto para ele quanto para a escola. Como a senhora não compareceu à outras reuniões…

Daí a mãe do menino já começou a se justificar:

– Eu não vim nas reuniões porque tenho mais três filhos para criar, trabalho o dia todo, não tenho com quem deixar, lá em casa sou eu sozinha. Não sou essa mãe relaxada que vocês acham, as pessoas ficam dizendo que não sei educar meu filho, ele é hiperativo, não é culpa minha …

Vamos pegar somente esta parte do diálogo para analisar qual foi a mensagem dita pela psicóloga e qual foi o entendimento da mãe do menino.

A Psicóloga disse: nós lhe chamamos para conversar sobre seu filho hoje porque a senhora não esteve presente nas outras reuniões.

Sendo mais simples: nós precisamos falar sobre seu filho e isto não foi possível ainda.

Mas o que é que a mãe do menino entendeu nesta mesma fala da psicóloga?

Ela absorveu daquela mensagem os seus próprios pré-julgamentos pessoais. Achou que ao dizer ”você não veio à outras reuniões” a psicóloga a acusava de ser uma péssima mãe, negligente. E partiu para o ataque, se defendendo de todas as formas e fazendo até um desabafo.

Este é um exemplo bem claro de como os mal-entendidos ocorrem.

Precisamos sempre, sempre separar dois pontos básicos quando estivermos conversando, falando com alguém: uma coisa é o fato.

O que aconteceu, sem julgamento nenhum, a verdade nua e crua.

No caso do exemplo, o fato era: a mãe não foi às reuniões anteriores.

Pronto. Isto é só o fato. Não interessa se ela não foi porque estava ocupada, se não o fez porque estava dormindo, não interessa. O fato era só um: ela não compareceu. E era só isso que interessava enquanto informação no momento.

Mas mediante o fato exposto, ocorreu um julgamento. A mãe entendeu que ao dizer que ela não foi ali, ela era uma péssima mãe.

Perceba que Fato e Julgamento são coisas totalmente diferentes.

Esta separação simples de fato e julgamento ajuda muito na hora de expor alguma situação com alguém.

A postura envolvida na conversa, principalmente ao se tratar de um assunto delicado, também faz toda diferença.

O falar, se comunicar depende de como EU sou criado, depende de como fui educado e não depende da reação do outro.

A frase “se me tratar bem eu trato com educação, senão serei mal-educado também” é outra afirmação do quanto podemos agir por impulso, sem manter nossa personalidade.

Qual é realmente o seu jeito de ser?

Como você tem se saído na hora de se expressar? As pessoas entendem o que você diz? Elas param para lhe ouvir, prestam atenção?

Se sim, é bem provável que você esteja se comunicando com eficiência e presteza além de manter uma boa dose de educação.

Mesmo quando alguém lhe trata com pouca educação, o esforço por manter um nível na conversa, ou se for o caso, apenas se retirar do ambiente vai lhe trazer um ganho lá na frente.

Demonstrar que você não gostou do que foi dito não precisa ser de um jeito escandaloso, com gritos e termos chulos. A própria expressão facial fará isso.

Claro que não somos anjos, monges e um dia estaremos com o humor meio azedo, somos humanos, mas se pudermos manter um padrão de comunicação visando clareza, educação e eficiência separando os fatos dos julgamentos, a tendência é evoluirmos cada vez mais na hora de conversar.

Uma palavra dita é como flecha lançada, já dizia o ditado. Não tem retorno e não tem como sanar um efeito depois. Já fez a ferida.

Às vezes passam-se anos e duas pessoas simplesmente param de se falar, esfriam toda uma amizade simplesmente porque uma palavra, uma ofensa foi dita na hora da raiva e estragou anos do que poderia ser uma convivência muito feliz.

Estamos em tempos de polarização política, de extremos de opiniões e rapidez na comunicação. Uma fórmula explosiva de convivência.

Mais do que nunca devemos aprender a respirar fundo antes de se posicionar. Não por medo de falar besteira, ou por receio de brigar, mas por absoluta necessidade de dar prioridade ao que realmente faz diferença para mim em matéria de conversa, por querer manter a minha paz de espírito.

Se eu entrar em X discussão, qual será o objetivo?

O que eu tenho com isso?

O que eu posso dizer vai fazer alguma diferença?

Questionamentos assim são eficientes e evitam posturas que vão causar muitos aborrecimentos depois, podendo resultar em rompimentos de anos de amizade por conta de um impulso que todos trazemos conosco: o impulso de defesa. Igual ao impulso na mulher que achou que a psicóloga a julgava como péssima mãe.

Não existe coisa melhor em matéria de diálogo que poder ter tranquilidade e segurança ao expor seus pensamentos.

Quando estamos fora de nosso equilíbrio por alguma razão, o ideal é dar um tempo, sair do ambiente, respirar fundo.

Se estiver em um aplicativo de mensagens, faça o mesmo. Espere se acalmar, deixe para lá, responda somente o restrito necessário e depois retome a conversa.

Não se deixe ser comandado pela velocidade tecnológica. Os contatos humanos são muito mais complexos do que qualquer tecnologia que aproxima as pessoas. Ou que, pelo menos, deveriam aproximar.

Enfim, palavras machucam e podem perdurar em nossa mente uma vida toda. Sabemos disso e todos temos nossas “cicatrizes verbais” em nossas mentes.

Ao machucar por palavras podemos até sentir um certo alívio de momento, mas depois o que pode vir a se fixar em nós é a culpa. Ou é a imagem para os outros de que você não é boa pessoa e não sabe se portar com educação colocando em risco desde boas amizades até um cargo mais alto no trabalho.

Fazer uso da Inteligência Emocional para se expressar é um ato mais do que importante, é vital para que possamos conviver a maior parte do tempo em harmonia e numa relação (seja de que ordem for) agradável e eficiente.

Quem machuca o próximo, fere a si mesmo. Pensemos nisso.

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