fases do luto

Psicólogo Flaviano Silva CRP 05/56349

Desde o nascimento atravessamos muitas experiências que vão deixar registrados em nossa memória emoções, sentimentos, aprendizados, lembranças boas e outras nem tanto…

Crescemos sempre ouvindo que devemos ser fortes, que não podemos fraquejar e que tudo passa e que, além disso, é uma atitude de pessoas com pouca coragem ou fracas o ato de chorar, sofrer, mostrar o que se sente.

Ouvimos isso quando é dito para outras pessoas e para nós mesmos.

O famoso “engole esse choro!” quando dito diante de uma situação de perda ou frustração digna de despertar algum sofrimento, quando não se trata apenas de uma birra, é uma ordem que anos depois vai trazer alguns conflitos que podem descambar para imensas dificuldades ao lidar com perdas.

O luto é um agravamento desta dificuldade em lidar com a perda de algo ou alguém.

Seja perder alguém em decorrência da morte, perder um emprego, uma oportunidade ou ainda passar por um término de relacionamento; todas estas situações e outras aonde a pessoa simplesmente não sabe como seguir em uma fase totalmente nova e/ou inesperada é chamada de luto.

Por definição, o luto é um estado emocional que começa na iminência de se perder um vínculo. Seja este de amor, profissional, afetivo. É um período de adaptação logo depois desta perda.

Toda vez que perdemos algo de uma forma definitiva, o sentimento é de frustração, derrota e tristeza. Já o luto, é diferente de uma perda comum, pois envolve vínculos.

Á partir do momento que criamos uma ligação com alguém ou com algo de maneira afetiva construímos uma ligação de maior segurança, confiabilidade.

Quando desfazemos esse laço, esta ligação; o impacto gerado no campo das emoções é mais forte, mais marcante.

Como dito anteriormente, quando falamos de luto não estamos falando apenas sobre a morte de alguém querido.

 fases do luto

O luto refere-se a toda perda significativa na nossa vida, especialmente quando envolve algum vínculo afetivo. Pode ser a perda de um emprego que a pessoa gostava muito, quando acontece o término de um relacionamento amoroso, quando fracassamos diante de algum projeto ao qual muito tempo, dinheiro e dedicação foram investidos, etc.

Esta fase de final de algo e início de outro traz medo, insegurança, tristeza e uma infinidade de outras emoções e sentimentos.

Quando se trata de lidar com a morte, o luto pode apresentar-se mais severo. Uma relação muito estreita a nível afetivo com alguém que morre deixa marcas significativas.

Por mais que todos saibamos que esta hora vai chegar, nunca estamos prontos o suficiente para encarar a morte de maneira tranquila e natural.

Mesmo aqueles que possuem uma fé em alguma religião ou doutrina, passar a viver sem alguém muito próximo e querido é extremamente penoso. Dependendo do tipo de laço afetivo, a pessoa realmente sente como se lhe fosse arrancado um membro.

As mães que perdem seus filhos, por exemplo, usam exatamente esta expressão: “- Foi um pedaço de mim que foi arrancado e nunca mais a vida será a mesma.”. E a sensação, é exatamente esta: de mutilação.

Se a morte natural de alguém querido já é tão difícil, imaginemos então a inversão da ordem natural das existências.

Aliás, é sempre bom reforçar que ao se deparar com a triste situação onde uma mãe ou pai perde seu filho, jamais use frases de consolo como “pelo menos você tem outro filho”, “você são jovens, poderão ter outros filhos”. Tais frases trazem um sentido de que um filho é substituível. E não é! Parece que a pessoa tem que engolir logo a tristeza e colocar outro filho no lugar. Embora possa haver boa intenção nestas frases, ouvi-las pode trazer um desconforto ainda maior.

Outra situação de luto por morte é quando se perde o marido ou esposa. Também evite frases clichê do tipo “você é jovem, pode arrumar outra pessoa” ou então “tem muitos viúvos (as) procurando companhia por aí”. Não cometa este vexame. Pessoa nenhuma “ocupa a vaga” do outro quando estamos falando de amor, afeto.

 fases do luto

Caso não tenha o que falar nestas horas, escolha o silêncio.

O gesto de amparar, ouvir pode sempre ser muito mais bem recebido e eficiente do que algumas palavras.

O luto é composto por cinco fases. São períodos bem característicos que toda pessoa vai atravessar ao se deparar com algo inevitável, uma mudança, morte de ente querido, afastamento de uma pessoa que foi muito importante entre outras situações.

As cinco fases do luto são:

  • Negação: a pessoa se recusa a acreditar ou aceitar a situação. Não quer falar sobre o ocorrido, se esquiva de qualquer conversa sobre o assunto de maneira sutil ou agressiva, inventa mil desculpas para não ter de encarar o fato;
  • Raiva: depois de aceitar o que aconteceu, aparece a revolta, a raiva. É nesta fase que a pessoa se mostra mais agressiva, briga ou discute com as pessoas, coloca a culpa do ocorrido em Deus, em si mesma ou em outras pessoas;
  • Barganha/Troca: A fase da barganha é quando a pessoa enlutada passa a querer realizar trocas. Ela deseja negociar o ocorrido, como se ao mudar de atitude ou comportamento pudesse evitar que ela passe por um luto novamente. Faz promessas, diz que vai se comportar melhor, que nunca mais vai se atrasar em um emprego (no caso de ter sido demitida), etc.;
  • Depressão: Esta é a fase em que a pessoa realmente assimila que o que aconteceu não tem volta. É hora do recolhimento, da elaboração de tudo, reavaliações de vida, desabafos e lágrimas. A vida sem aquela pessoa, emprego, relacionamento é uma realidade e tem de ser vivida. Nesta fase é muito comum a perda de apetite, a insônia, crises de choro aleatórias, involuntárias, o humor fica mais instável e é até natural aqui que seja desenvolvido um transtorno depressivo;
  • Aceitação: aqui é o início do processo de reerguer-se. Aos poucos a pessoa volta a administrar sua vida. Volta a dormir um pouco melhor, o apetite tende a retornar de maneira equilibrada, a iniciativa, ânimo aparecem de forma sutil e cada vez se fazem mais presentes. Mas tudo é muito leve. A tristeza, revolta começa a diluir para dar espaço à retomada.

O luto pode durar alguns dias, meses ou até anos. Assim como vai variar também a intensidade com que a pessoa sente esta fase.

 fases do luto

Vale lembrar que cada pessoa expressa sua dor ou perda de maneira muito pessoal.

Muitas vezes a pessoa não chora, até brinca e faz piadas. Mas é no recolhimento de seu lar que ela vai permitir-se chorar, sofrer do jeito dela.

O não demonstrar uma emoção não quer dizer que a pessoa não sinta nada.

Sentir é uma coisa, demonstrar é outra.

Em média, pode-se dizer que o luto pode durar de três meses até um ano.

Quando este luto passa a prejudicar a pessoa em sua qualidade de vida por mais tempo, de uma maneira mais intensa, é hora de pedir ajuda psicológica.

Na psicoterapia a pessoa poderá elaborar todo o processo de aceitar e conviver com a nova realidade de vida que lhe apresenta.

Além disso, às vezes a dor emocional provoca um caos psíquico tão grande que não tem como a pessoa se reorganizar sozinha. Ela atravessa uma fase em que tem a impressão que o mundo todo está caminhando, seguindo em frente menos ela.

A impressão de que ninguém liga para o que está sentindo é grande. Qualquer discordância ou frustração é sentida com muito mais intensidade e por estar em situação frágil, ela pode desabar a qualquer momento.

Por isso o apoio psicológico é uma opção inteligente.

Até porque por mais incrível que isto possa parecer abrir-se com alguém estranho, que não é da família, que não vai julgar ou trair a confiança divulgando o que é dito é mais fácil do que fazer o mesmo com amigos ou familiares.

A primeira sensação depois de uma sessão de psicoterapia de uma pessoa enlutada é a de alívio.

Expressar-se em território neutro contribui para um bom andamento e evolução da reorganização emocional num período em que tudo parece extremamente difícil e doloroso.

Por se tratar de uma fase de insegurança, medo, tristeza, revolta e outras emoções, é comum que a pessoa acabe por tentar amenizar sua dor por vias pouco saudáveis, como através do alcoolismo e drogas.

Além dos malefícios conhecidos que o uso ou abuso destas substâncias trazem, como a pessoa ainda está muito instável emocionalmente, ela pode acabar por extravasar o que sente de uma maneira desordenada, com alteração da consciência provocada pela bebida alcóolica e drogas.

Daí o risco de se envolver em brigas, dirigir sob o efeito de substâncias psicoativas e provocar graves acidentes ou morte é grande.

Cabe àqueles que convivem com a pessoa enlutada ficar atentos aos seus comportamentos nesta fase, pois podem ocorrer tentativas de suicídio.

Oferecer o ombro, ouvir as angústias da pessoa, ter paciência e, se for o caso, encorajar na busca de ajuda especializada vai contribuir e muito para a sua recuperação.

Até porque, como o transtorno depressivo ocorre muito durante o luto, o enlutado vai ter a nítida impressão que ninguém mais quer “ouvir suas lamentações”, que ela é estorvo e sempre atrapalha os outros.

Ao optar por ajuda profissional, esta impressão ou mecanismo de fuga da melhora não funciona, pois se trata de uma prestação de serviço devidamente contratada. Existem pessoas que preferem assim e até funcionam melhor ao estabelecer um vínculo mais profissional no momento de falar de si mesmo.

É preciso todo um cuidado ao lidar com a pessoa enlutada.

É sempre importante lembrar que cada pessoa tem seu tempo, reage de uma maneira particular.

Não fique apressando a recuperação do outro com frases do tipo “bola para frente”, “ segue a vida logo”, “ você está desperdiçando sua vida com este choro todo”. Tais “incentivos” funcionam exatamente ao contrário. O enlutado vai se sentir ainda mais frágil e incompreendido. Só quem sente a dor sabe como é. Respeite o tempo do outro. Promova a empatia.

 fases do luto

Uma palavra inadequada pode fazer com que o enlutado tenha vergonha de expressar sua tristeza, de falar sobre o luto. Enquanto que o saudável é justamente falar sobre o assunto, acolher os conteúdos da pessoa nesta etapa de vida de modo a encorajá-la a expor seus sentimentos e amenizando assim a angustia e opressão que sente.

Frases e colocações inconvenientes no momento de consolar alguém numa situação de morte é consequência do tabu criado sobre o assunto. Não é natural na nossa cultura conversar sobre a morte, elaborar o que acontece ou pode acontecer nessas situações. É um assunto evitado, temido por gerações.

Quanto mais evitamos um assunto, mais conflitos podem aparecer. Tudo que não é dito vai aparecer em algum momento. Seja através de um gesto, de uma doença, agressão, etc.

Se quiser ajudar alguém que passa pelo luto, simplesmente ofereça ajuda.

“– Quero ajudar você. O que posso fazer?”. Você pode ajudar a organizar a casa da pessoa, fazer cia quando ela precisar fazer algo, ficar disponível quando ela precisar conversar.

Não é complicado ajudar.

Toda crise é oportunidade e no caso do luto de alguém, é a chance de poder ajudar, de fazer o outro (e você mesmo) se sentir mais leve.

Caso seja você que está passando pelo luto, é importante viver um dia de cada vez. Respeite a si mesmo, permita-se sofrer, chorar, desabafar.

Todas estas ações são necessárias para que a alma fique lavada, por assim dizer.

Não pense que os outros lhe acharão ou frágil demais ou insensível demais. Aceite suas próprias reações, recolha-se, tenha calma e a certeza de que aos poucos tudo que parece estar de pernas para o ar vai retornar aos eixos novamente.

As mudanças em nossas vidas nem sempre são previsíveis ou até o são, mas sempre haverá um misto de tristeza e incompreensão. Isto é do ser humano.

O luto é a fase onde mais crescemos, evoluímos.

Dói sim. Faz chorar sim e quem diz o contrário disso, está muito mal resolvido acerca de suas próprias emoções.

Por isso, não se cobre demais. O que aconteceu já é fato consumado. Respire fundo, tire um tempo para se recompor e reorganizar as ideias e emoções.

Caso esteja pesado demais, difícil demais, procure ajuda. Dar oportunidade para o outro ajudar é gratificante para as duas partes. Sempre.

 

Psicólogo Flaviano Silva CRP 05/56349
Terapia de Casal e Relacionamentos
Atendimento em Nova Iguaçu, Barra da Tijuca
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