Você já deve ter se deparado com inúmeros testes ou aplicativos que prometem lhe mostrar exatamente como é sua personalidade, como você age ou ainda, como são suas principais atitudes diante de uma situação.

São descrições aparentemente pessoais aonde podemos ler coisas do tipo “você possui uma perseverança invejável, consegue ajudar os outros sempre e tem um espírito guerreiro”. Algo do tipo.

Estas descrições generalizadas (no caso aqui, de uma personalidade), não possuem absolutamente nada de científico. São palavras que descrevem alguém com base em observações vagas ou até em algoritmos no caso de aplicativos de redes sociais.

Mas não possuem qualquer comprovação científica.

Quando uma pessoa lê esta definição sobre si mesma e acredita naquilo, temos o então chamado Efeito Forer.

As pessoas tendem a acreditar naquilo que possa trazer reforçar sua autoafirmação. Podemos chamar de “aquela massagem no ego”, por assim dizer.

Além disso, tais afirmações por serem tão generalizadas, podem ser aplicadas a qualquer pessoa.

O criador do Efeito Forer foi o Psicólogo Bertram R. Forer que em 1948 trouxe um experimento à público visando comprovar que muitas pessoas absorviam descrições sobre si mesmas como verdadeiras sem se preocupar com sua procedência ou comprovação.

Ele observou que este comportamento de credulidade superficial acontecia com certa frequência em testes de personalidade, por exemplo.

As pessoas tomavam as conclusões como absolutamente verdadeiras.

Com o objetivo de comprovar sua teoria então, ele reuniu um grupo de alunos e disse que iria aplicar um teste de personalidade que iria fornecer um parecer sobre os mesmos.

Foi entregue a este grupo uma lista de afirmações e ao final, um resultado com o suposto parecer de cada um deles.

Forer então solicitou que eles analisassem estes resultados para então dizer se eram verdadeiros ou não, se realmente batiam com o próprio perfil pessoal de cada um deles.

Só que havia um pequeno detalhe que o psicólogo não comunicou: todos os resultados eram idênticos.

No suposto teste, havia uma pontuação que seguia uma escala entre 0 e 5, sendo que 5, seria a maior pontuação.

O grupo de alunos avaliou o teste com uma média de 4,46, ou seja, deram uma avaliação quase total, máxima demonstrando assim que acreditaram totalmente nos resultados daquele teste que em tese, descreveria a personalidade de cada um deles.

Ficou então comprovado que as pessoas tendem a acreditar nas chamadas pseudociências quando o conteúdo ali de alguma maneira, está em consonância com o que pensam sobre si ou sobre outra temática a que se interessam.

Desde este teste de comprovação do Efeito Forer, várias vezes são aplicados o mesmo método para comprovar este mesmo comportamento.

Mas devemos ressaltar que para se considerar uma validação do Efeito Forer deve-se atentar para duas premissas básicas:

  1. A pessoa que vai responder o suposto teste deve realmente acreditar que se trata de algo válido, de um estudo sério;

  2. Os dados ou especificações sobre o teste precisam ter elementos sólidos para cumprir uma proporção equilibrada entre características positivas e negativas para que isto possa solidificar seu aparente fundamento.

É muito comum nos depararmos com pseudociências onde o Efeito Forer é observado constantemente.

Testes de revistas, cartas de tarô, homeopatia, leitura de auras e outras práticas se baseiam do mesmo método.

Existem os chamados “testes de personalidade” que são divulgados amplamente em qualquer meio de comunicação ou redes sociais, aplicativos, não se tratam de testes com respaldo científico.

Isto porque os Testes de Personalidades que Psicólogos aplicam (e somente estes têm permissão para isto) são de uso restrito e a aplicação é particular, feita em ambiente controlado, com observação e controle total dos dados e comportamento da pessoa enquanto esta responde determinado teste.

Uma avaliação confiável neste sentido só pode ser proporcionada por quem estudou muito, trabalha com estes instrumentos de acordo com todo um procedimento e em consonância com exigências técnico científicas rigorosas.

Mas como é que o Efeito Forer acaba por “fazer sentido” para as pessoas? Como funciona?

Uma das razões para que as pessoas acabem por acreditar nos resultados destes testes é o fato de que por entre as alternativas a serem marcadas ou escaladas, não existem pontos discordantes.

Você pode marcar a alternativa A ou a B que ambas farão sentido.

Além disso, algumas declarações são lógicas. São afirmações que se referem ao comportamento de qualquer pessoa. Por exemplo “ na maioria das vezes você é uma pessoa muito boa, mas existem dias que você não se sente tão bom assim”.

Ora, isto é óbvio, não? Existem dias que todos não estamos bem.

Algumas práticas como horóscopo, artes adivinhatórias em geral pegam as pessoas justamente pela necessidade que estas sentem de ter o controle de tudo.

Não saber o futuro para alguns pode ser angustiante. O que as pessoas que se dizem “adivinhas” fazem, é criar a ilusão de que você agora pode controlar seu futuro, pois já sabe o que está acontecendo ao seu redor, no universo.

Isto dá uma falsa sensação de controle.

Mas este comportamento de acreditar em tudo que se diz, afirmações pessoais que supostamente nos descrevem podem acarretar problemas.

Quantas pessoas por aí acabam por pagar por testes ou adivinhações querendo “se conhecer” ou saber de seu futuro, não é mesmo?

Por isso, devemos sempre buscar a razão, o raciocínio lógico frente a estes testes ou prestadores de serviço que prometem curar ou mostrar o futuro.

Antes de tudo, seja sempre adepto da ciência. Questione, pergunte, pesquise na internet, compare resultados das pessoas e esteja sempre atenta.

Descarte fontes sem nenhum respaldo. Se você olha um site que tem um nome místico, sem ligação alguma com instituições sérias, gabaritadas ou padronizadas com conselhos profissionais, é grande a chance de se tratar de uma falácia.

Busque por evidências sólidas mesmo, artigos de jornais sérios, páginas de instituições de pesquisa, etc.

Testes on line não podem lhe dizer muita coisa sobre você simplesmente porque os testes científicos para estes fins tem de seguir protocolos controlados e muito técnicos para que as validações possam realmente apresentar respaldo científico.

Perceba também que estes testes geralmente são muito vagos, não trazem informações específicas. Tudo ali vai combinar tanto com você quanto com a fulana, beltrana e cicrano.

O Efeito Forer mostra que existem inúmeras crenças que não são passíveis de comprovação e muito menos do rigor científico necessário que poderiam dar credibilidade ao instrumento.

Podemos dizer inclusive que as pessoas que mais adotam pseudociências para si são aquelas que preferem se iludir, preferem acreditar no que é mais fácil ou que possa, segundo ela, oferecer até mesmo uma posição de status.

Para se precaver e não se deixar levar por falácias através do Efeito Forer, existem algumas dicas básicas que podem lhe ajudar bastante:

  • Se as afirmações são vagas e encaixam em qualquer pessoa, é uma falácia;

  • Se só são exaltadas e valorizadas as afirmações boas, positivas ou promissoras, é estratégia de sedução para tornar o texto mais confiável, afinal todos querem ouvir coisas positivas;

  • Se a pessoa que aplica o teste ou oferece o serviço não mostra autoridade moral, ou de onde ela tirou aquele teste, onde estudou, a chance de ser pseudociência é enorme.

Estes tipos de testes e afirmações são preparados para seduzir, para envolver a pessoa com o que ela deseja ouvir.

Esteja sempre atento, pois passamos por fazes mais vulneráveis no dia a dia e podemos esbarrar em pessoas que oferecem soluções mágicas, testes que vão mostrar o quanto você é especial.

Esta é a estratégia de encantamento.

Muitos usam até termos científicos e os distorcem totalmente a fim de tentar dar um respaldo mais científico como Física Quântica, Magnetismo, energias invisíveis e outros pontos.

Às vezes a intenção de quem aplica testes ou faz as supostas adivinhações ou atendimentos não são de tirar vantagem. Ela precisa se sentir diferente, especial e busca exercer uma atividade diferente que vai, segundo ela, valoriza-la enquanto pessoa.

Outro fato muito importante que devemos aqui ressaltar é o risco de se orientar em práticas que solicitam abandono de tratamento ou dizem que o Psicólogo ou Psiquiatra só querem saber de dinheiro, não são humanizados e só querem nos encher de remédios.

Tome muito cuidado com este tipo de discursos. Pessoas sérias, profissionais, recomendam profissionais e não desmerecem uma classe profissional. Elas podem, no máximo, sugerir trabalhar em conjunto, mas desacreditar um profissional, é sinal de alerta de má fé.

Por fim, esteja sempre atento e valorize a pessoa que você é. Única, especial.

Se sentir necessidade de buscar ajuda, entender melhor o que tem acontecido na sua vida, opte por ajuda profissional segura, respaldada em ciência. A sua saúde, a sua paz de espírito e qualidade de vida precisam de muito mais do que testes de personalidade jogados ao vento para quem quiser fazer.

Teste de Personalidade sério, e com Psicólogo, psicoterapeuta passível de validação técnica.

Não seja mais uma pessoa ingênua. Exercite a sua cientificidade e não se deixe levar por mensagens bonitas que o exaltam o tempo todo. A verdade sobre nós, pode ser muito mais encantadora.

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