crise de ansiedade

Psicólogo Flaviano Silva CRP 05/56349

 

E do nada, de repente aparecem sensações que nos deixam incomodados, inquietos, em estado de alerta.

A cabeça parece funcionar acelerada, mil pensamentos ao mesmo tempo, olha-se para um lado, para outro, a respiração é curta e parece não ser suficiente, às vezes dá até uma tremedeira.

Não conseguimos prestar atenção em nada por mais de 3 segundos, se alguém está falando já não registramos o que é dito, o coração dispara, o suor começa a aparecer…

Mas que coisa é essa afinal?

Estes são os sintomas clássicos de ansiedade. Quando em um nível saudável, tudo isso acontece em uma fração de segundo e logo se normaliza. Mas quando em níveis e frequência além do esperado; pode ser uma disfunção, uma Crise de Ansiedade.

Do grego Anshein, a palavra ansiedade significa sufocar/oprimir.

A etimologia da palavra não poderia ser mais adequada.

Quando em estado ansioso nós passamos a nos sentir sufocados, pressionados por uma razão aparente ou não.

Saímos de um estado equilibrado e tranquilo para outro em que parece que corremos risco ou se houver mais pessoas por perto é como se todo mundo olhasse para gente naquele momento.

E o mais intrigante nisso tudo, é que não aconteceu nada de tão diferente. Não existe um porque de se sentir deste jeito.

Mas ao mesmo tempo que um estímulo externo pode desencadear todas estas sensações e emoções, nossos pensamentos quando direcionados para um mundo de hipóteses e suposições, vivendo em um futuro que ainda não aconteceu e que talvez nunca aconteça podem ser verdadeiros vilões na hora de manter nossa saúde mental e equilíbrio.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 264 milhões de pessoas no mundo todo sofre com algum tipo de Transtorno Ansioso.

De acordo com a mesma Organização, 18 milhões de brasileiros passam pela doença o que coloca o Brasil como o país mais ansioso do mundo.

É importante entender que a ansiedade em si é perfeitamente saudável.

É ela que nos permite ficar em estado de alerta, nos proteger de perigos, nos impulsiona para seguir além e ainda, promove uma série de mecanismos psíquicos e fisiológicos que nos permitem tomar iniciativa, nos arriscar, ousar. A hesitação inicial acontece, mas não ficamos parados ou estagnados quando a ansiedade natural aparece.

Ocorre que quando o estado ansioso começa a se apresentar com uma frequência muito além do saudável trazendo desconforto, inquietação, insônia, dificuldades de concentração e atenção, medos sem causas específicas; podemos estar diante de um problema de saúde mental, de uma psicopatologia ou doença mental.

Se folhearmos um tratado de saúde mental, um Compêndio de Psiquiatria, iremos constatar que a grande maioria das psicopatologias tem relação com ansiedade desregulada.

Muitos transtornos de humor, Fobias, Compulsões, Transtornos Alimentares como, por exemplo, a Depressão, Síndrome do Pânico, Transtorno Obsessivo Compulsivo, Anorexia, Bulimia e outros têm como pano de fundo a ansiedade generalizada.

crise de ansiedade

Aliás, existe até mesmo um transtorno só para a ansiedade: Transtorno de Ansiedade Generalizada, a chamada TAG.

À termo de ilustração deste tema, a TAG é um quadro onde existe preocupações excessivas e recorrentes que acontecem por pelo menos seis meses e acarretam sintomas físicos, somáticos no indivíduo.

A pessoa padece por antecipação. Ela antecipa tudo em sua mente, antes de acontecer. Isso traz uma série de problemas de saúde mental e física como irritabilidade, fadiga mental, dor de cabeça, dor muscular, insônia, etc.

Quando acontece uma crise ansiosa os principais sintomas são:

  • Hiperventilação (quando a respiração se torna muito acelerada e curta);
  • Inquietação como mexer as pernas, mãos e se mover o tempo todo;
  • Aceleração de pensamentos em sua maioria, sem conclusão de raciocínio;
  • Tremores;
  • Angústia;
  • Perturbação do sono: insônia ou sonos insatisfatório onde a pessoa acorda várias vezes no meio da noite e já acorda cansada;
  • Irritabilidade;
  • Fadiga;
  • Incapacidade de relaxamento;
  • Alteração do apetite pendendo para o excesso e para a vontade aumentada de comer doce;
  • Dores musculares;
  • Dor de cabeça;
  • Taquicardia;
  • Tonturas;
  • Sudorese;
  • Distúrbios intestinais entre outros.

Poucas pessoas detectam o problema logo.

Geralmente a pessoa padece destes sintomas por meses antes de procurar ajuda. O que vai agravando aos poucos o quadro correndo-se o risco de desencadear outros transtornos.

Um exemplo comum são pessoas com disfunções intestinais. Passam anos tratando a dor de barriga com remédios específicos para isto, mas nada resolve. Muda-se a dieta e nada. Só depois de muito tempo ela pode, talvez, cogitar a hipótese que a causa para dor de barriga não está no estômago ou intestino e sim, na cabeça. Pode ser a ansiedade que traz tanto problema intestinal também.

Quando existe a ocorrência da crise ansiosa com certa frequência, é hora de buscar ajuda especializada.

Os profissionais da saúde mental (Psicólogo ou Psiquiatra) vão avaliar o indivíduo, seu histórico familiar, como é que a família costuma funcionar (ansiosos quase sempre aprendem a ser assim com a família de modo inconsciente), como é o cotidiano, o que em meio seu dia a dia desencadeia a ansiedade patológica, quais as criações mentais que a pessoa cultiva como verdades e que geram uma série de “E se… E se…” onde o presente não é vivenciado, mas somente o futuro, além de outras abordagens.

Conta-se que em uma dada cerimônia de casamento budista, o monge perguntava aos noivos: – Você está aqui? O leigo iria achar que é uma pergunta boba, afinal, o monge não está enxergando os dois ali? Porém, a sábia pergunta que parece simples e até sem importância, traz o questionamento que se refere ao pensamento de cada um.

Onde está seu pensamento, sua atenção agora? Está aqui? Você está vivenciando este momento de sua vida de maneira integral?

Esta é uma pergunta que o ansioso deve fazer a si mesmo: onde está meu pensamento? Eu estou aqui? Por que estou pensando isso?

Esta “puxada de orelha mental” pode ser de grande ajuda para promover a saúde mental/emocional e amenizar a ansiedade.

A respiração também deve ser alvo de atenção.

Como se trata de algo involuntário, passamos por ela sem prestar a mínima atenção.

Por incrível que pareça, a grande maioria das pessoas não sabe respirar.

A respiração é curta, superficial e não supre o corpo com oxigênio suficiente.

Por isso muito dizem para a pessoa quando esta está muito nervosa e inquieta: “- Pare! Respire fundo!”. E esta ordem, é certíssima.

crise de ansiedade

Quando paramos para respirar, quando respiramos fundo, promovemos uma maior oxigenação cerebral e isto vai acionar os neurotransmissores que promovem a calma, o relaxamento.

Quantas vezes diante de um problema não paramos, respiramos fundo e minutos depois a solução para aquele problema parece surgir do nada.

Isto acontece porque ao manter a tensão, obstruímos os campos neurais da criatividade, do raciocínio.

Então, ao se perceber ansioso demais, pare, respire fundo. Segure o ar por três segundos e solte lentamente pela boca. Isso vai acalmar um pouco as coisas.

Durante a psicoterapia, dependendo do caso e de como a pessoa assimila o conhecimento de si mesmo e seus comportamentos inconscientes e recorrentes; o profissional avaliará se haverá ou não necessidade de intervenção medicamentosa.

Muitas vezes a terapia já soluciona o problema promovendo a conscientização de modelos de pensamentos que prejudicam a saúde e comprometem a qualidade de vida do paciente. Ou seja: a psicoterapia permite ao ansioso crônico perceber como ele costuma analisar as situações, desafios.

Se ele vem de um ambiente onde era muito cobrado, onde existem críticas constantes ou se ele aprendeu com seus modelos familiares (geralmente os pais) que tem de antecipar e controlar tudo para se ter sucesso na vida ou se o modelo de estruturação de personalidade acabou por moldar uma personalidade excessivamente ansiosa.

Caso somente a abordagem do Psicólogo não apresente resultados significativos, será necessário então o encaminhamento ao Psiquiatra para que este possa entrar com algum ansiolítico: remédio que vai tratar os sintomas da ansiedade patológica.

Mesmo porque às vezes o paciente apresenta uma ansiedade tão exagerada que ele não consegue ouvir o outro.

Enquanto o interlocutor fala, ele já está pensando no que vai responder. Isso diminui consideravelmente a atenção e pode ser complicada ainda mais com a psicoterapia.

Vale ressaltar que os remédios usados para o controle e tratamento da ansiedade não causam sonolência nem dependência como muitos acreditam.

Com o tratamento adequado e a dedicação daquele que sofre com uma ansiedade patológica, podemos estimar que, em média, depois de 4 ou 8 semanas os sintomas começam a diminuir e a pessoa passa a controlar-se melhor, sem aquela angústia e sensação de opressão constante.

Obviamente que a ansiedade não vai (e nem deve) sumir. Pois esta faz parte de uma organização mental saudável. Mas passa-se a lidar com esta de maneira equilibrada, sem grandes prejuízos na saúde e vida social/profissional.

crise de ansiedade

Quando estamos diante de novas situações e desafios, é esperado o aumento da ansiedade. Isto é o esperado em uma pessoa dita “normal”.

O que não deve acontecer é o padrão deste estado de alerta sem qualquer razão plausível. O viver pensando em hipóteses que muitas vezes nem são concretizadas é passar toda uma vida em sofrimento e desgaste.

Uma característica associada aos transtornos ansiosos também é a baixa autoestima.

É muito frequente que a pessoa que não acredita em si mesmo passe a se esforçar além da conta para provar seu valor de maneira quase doentia.

Ela passa a querer antecipar tudo, todas as possibilidades imaginando que assim não vão acontecer nada de errado. Ou imagina que assim os outros vão reconhecer o quanto ela é valorosa e dedicada.

Este é um comportamento extremamente insalubre. Á partir do momento que eu dependo da aprovação e reconhecimento de outra pessoa, eu deixo o controle de tudo nas mãos do outro. E não tem como eu controlar outra pessoa senão a mim mesmo.

O que o ansioso precisa entender é que controle absoluto não existe. Nós podemos no máximo, nos precaver com atitudes práticas e planejamento objetivo. Mas sempre uma ou outra situação inesperada vai ocorrer e é preciso confiar na nossa capacidade de contornar os imprevistos.

O medo de errar, de parecer incompetente, ridículo, insensível e etc acarreta a maioria de nossas inquietações ansiosas.

Se tivermos a consciência de que a opinião do outro sobre mim e meus comportamentos não determinam que sou eu, estes medos e consequente ansiedade diminuirão bastante.

Controlar a ansiedade, conviver com esta de maneira equilibrada é um desafio diário e constante.

Fiscalize seus pensamentos. Se você já sabe que determinado pensamento traz angústia e não ajuda em nada, diga para si mesmo “Pare de pensar nisso!”. Aos poucos esta prática que parece até banal, vai lhe ajudar a ter a capacidade de manter sua atenção e concentração somente no que é preciso e no agora.

Este comportamento para promover a saúde mental pode além de ajudar a tratar, evitar que a ansiedade tome conta de sua mente comprometendo sua saúde e prejudicando sua produtividade.

Outra dica que ajuda muito é cultivar um hobbie.

Seja cultivar plantas, flores, horta; seja pintura, escrita, gastronomia; encontre uma atividade que lhe traga prazer. Isto vai ajudar muito assim como exercícios físicos também. Uma boa caminhada, passeio ou trilha de bicicleta são sugestões que vão trazer um maior bem estar.

O que acaba por proporcionar um problema de ansiedade descontrolada é nossa invigilância no que se refere aos pensamentos.

Deixamos correr solto, alimentamos vícios mentais que são nocivos.

Um aspecto que tem contribuído e muito para aumentar os casos de ansiedade patológica são as redes sociais usadas de maneira desenfreada.

O costume de esperar pelos comentários, curtidas, vigiar o outro seja amigo ou um desafeto, receber notificações de vários aplicativos, tudo isso vai nos trazer um mar de distrações e preocupações em sua maioria, desnecessárias.

Por isso, além de conhecer a si mesmo, estejamos atentos para nossos “hábitos virtuais”, que podem se tornar um vício e como tal, traz problemas diversos além de alimentar uma ansiedade doentia e quase catastrófica.

Sendo assim, que estejamos alerta de maneira equilibrado aos nossos hábitos mentais assim como os hábitos de nossa rotina prática. Nossa saúde mental é valiosa e merece este cuidado. Sejamos o agora e o equilíbrio.

 

Psicólogo Flaviano Silva CRP 05/56349
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