Claustrofobia

Psicólogo Flaviano Silva CRP 05/56349

Claustrofobia

É sempre interessante pesquisar a origem das palavras, sua etimologia para ter uma noção do que se trata.

A palavra Claustrofobia advém do latim. Claustro vem de claustrum que significa tranca, fechadura, tudo que serve para trancar ou fechar um local, por dedução linguística então: local fechado. Já fobia, vem do grego phobeoma, que significa eu temo. Por conclusão então, temos o medo de lugares fechados.

O medo em si, é uma das emoções de autopreservação presente em todos os mamíferos perfeitamente saudável e necessário.

Quando sentimos medo tendemos a ficar atentos, em estado de alerta, redobramos a atenção e todo o organismo desencadeia uma série de comandos fisiológicos que vão preparar o organismo para duas opções: ataque ou fuga.

Isto tudo acontece (ou deveria acontecer) quando estamos em alguma situação que nos ameaça ou quando o ambiente deixa de parecer seguro.

Claustrofobia

É instintivo. Depois de segundos tomamos uma atitude para nossa segurança e aos poucos, todos os comandos desencadeados para que passássemos pela circunstância diminuem e cessam.

Porém, ao se falar em fobia, a coisa muda de figura. Entramos então no campo das psicopatologias, das doenças mentais.

A fobia é um medo exagerado de alguma coisa que a priori não ofereceria tanto risco.

Este medo extremo é despertado tanto por se encontrar na suposta situação de risco quanto por antecipação. Só de pensar naquilo, a crise fóbica acontece.

Não é racional, é algo que atinge cada pessoa em particular (a fobia é despertada por cada pessoa por motivos únicos e pessoais) e atinge de tal modo a pessoa que ela pode ficar imóvel, em choque ou simplesmente foge diante daquilo que desperta seu terror.

Conforme esclarecido anteriormente, a claustrofobia é o medo intenso e desproporcional de locais fechados, abafados ou pequenos. Pode acontecer uma crise tanto em locais vazios, com mais ninguém quanto em locais com mais pessoas.

Ás vezes acontece uma pequena confusão ao se diferenciar a Claustrofobia da Agorafobia.

Enquanto a Claustrofobia ocorre em lugares pequenos e/ou fechados, a Agorafobia pode ocorrer também nestes lugares, mas acontece também em ambientes grandes e abertos.

As duas fobias possuem a semelhança de ter como agente desencadeador algum lugar, ambiente.

Mas o Agorafóbico, por exemplo, pode entrar e permanecer em um elevador lotado hoje sem nenhum problema, mas talvez no dia seguinte ele tenha uma crise no mesmo elevador, nas mesmas circunstâncias.

Já o Claustrofóbico sempre terá crise no lugar em que existem as características que ele teme. Pode ser um elevador, um avião, um cômodo pequeno sem ventilação, etc.

Mas como podemos diferenciar aquele que tem medo de avião ou de elevador de alguém que tem realmente a claustrofobia?

Sim, porque temer um voo, sentir desconforto no elevador pode acontecer com qualquer um. Ninguém está livre daquele desconforto, medo diante de uma turbulência no avião.

Mas à partir do momento que a pessoa passa a se prejudicar por causa desta fobia, daí é preciso acender o sinal de alerta.

Claustrofobia

O item que sempre avalia se alguém sofre de uma doença mental é a perda de qualidade de vida.

Se uma pessoa deixa de ganhar uma promoção ou perde uma imensa oportunidade de um emprego melhor, ou passa a subir muitos andares de escada por medo de elevador por exemplo; existe aí um prejuízo de qualidade de vida.

É uma oportunidade que se perde, é uma mudança de hábitos forçada devido ao medo como ter de chegar muito mais cedo para dar tempo de subir a escada sem se atrasar acarretando um cansaço muito grande, dores nas pernas. Dentro destes comportamentos adquiridos para evitar a crise, pessoa passa a se privar de situações ou oportunidades prejudicando a si mesmo cada vez mais.

Sem falar no risco que corre de desenvolver algum problema físico em decorrência das “manias” adquiridas como forma de evitar uma situação traumática.

Uma pessoa claustrofóbica não consegue nem fazer um exame de ressonância magnética. Em alguns casos, o paciente precisa ser dopado para poder fazer o exame.

Imagine a dificuldade de quem tem pavor de lugares fechados quando o médico diz que ele precisa investigar algum tumor, alguma fratura ou algo assim e tais exames precisam ser em um local apertado.

O claustrofóbico entende que aquele medo todo, a sensação de desespero não tem cabimento. Racionalmente ele percebe que houve um exagero em sua reação, mas é algo que foge ao controle.

Além do sofrimento da situação fóbica em si, existe o sofrimento depois da crise. A pessoa sente vergonha, se sente um tolo ou louco. Diminui-se, fragiliza-se. Até buscar a ajuda de um profissional de saúde mental ele já passou certamente por muitas situações de angústia e aflição.

Diante destes comportamentos pós-crise, é esperado e até comum que além da claustrofobia a pessoa desenvolva também outros transtornos como a depressão e síndrome do pânico, por exemplo.

Uma coisa leva à outra.

Ela passa a se isolar, fica com medo de “passar vergonha” quando a crise acontecer e deixa de sair, de conversar com amigos, de viajar e acaba por construir comportamentos que vão evitar que seja exposto ao seu medo maior ou fobia.

No caso da Claustrofobia, a pessoa começa a evitar prédios para não ter de pegar elevador. Não viaja de avião ou evita se hospedar em lugares que não conhece pela possibilidade se tratar de ambiente pequeno, evita comprar roupas em lojas físicas por não querer entrar em um provador, etc.

A fobia de lugares fechados ou lotados acomete mais mulheres do que homens, mas como em outros transtornos de saúde mental, existe a possibilidade de que a mulher aparece mais nas estatísticas porque elas têm maior facilidade para pedir ajuda e procurar um médico.

Não existe idade para esta fobia. Pode acontecer tanto com crianças quanto em adolescentes, adultos e idosos.

Reconhecer uma crise fóbica nestas situações é importante para evitar danos maiores tanto para quem sofre da doença quanto para os que estão próximos.

Os sintomas mais comuns são:

  • Taquicardia (alteração do ritmo do batimento do coração);
  • Sudorese (suor intenso);
  • As mãos, pés ficam gelados de uma hora para outra;
  • Boca seca;
  • Falta de ar;
  • Tontura;
  • Dormência dos membros;

As crises no claustrofóbico são bastante semelhantes às crises de pânico.

As origens do transtorno Claustrofóbico são ainda controversas. Mas os traumas sofridos em algum momento de sua vida em um ambiente fechado, pequeno, abafado podem ser a resposta.

Ocorre que nem sempre a pessoa vai se lembrar disso. Isso porque nossa memória começa a registrar absolutamente tudo que passamos desde o nascimento ou até antes mesmo de nascer. Mas resgatar todas estas memórias, não é possível.

Outra hipótese é que a pessoa pode ter “aprendido” a ter esta fobia.

Um filho que tem uma mãe claustrofóbica pode desenvolver o mesmo problema não por origem genética, mas comportamental.

O filho vê a mãe tendo crises no elevador ou evitando este lugar, a ouve dizendo que tem medo dali a todo o momento então ele aprende que ali naquele lugar existe uma ameaça muito grande.

Aos poucos ele desenvolve o mesmo comportamento da mãe, adquire a mesma fobia.

O mais difícil no tratamento da Claustrofobia é exatamente o psicodiagnóstico correto.

Como apresenta características muito semelhantes com outros transtornos que desencadeiam uma crise ansiosa grave, o trabalho para identificar corretamente esta fobia é muito profissional e minucioso.

Ao se constatar a Claustrofobia corretamente, o tratamento então é a psicoterapia e intervenção medicamentosa para diminuir a ansiedade e amenizar outros sintomas nervosos.

O tipo de terapia mais utilizada é a da linha teórica Cognitiva Comportamental, onde o paciente aos poucos é exposto à sua situação de medo paulatinamente, com paciência e cuidado.

De início existe uma condução mental, o paciente é levado a imaginar o local aonde ele sofre com as crises. Aos poucos o psicoterapeuta trabalha os conteúdos, suas memórias e elabora o seu atendimento sobre tudo aquilo.

Depois, é possível conduzir o paciente até o local que possa despertar as crises e tratar com o mesmo método.

Aos poucos o paciente avança um pouco, diminuindo cada vez mais um pouco os sintomas até que este consiga anular os sintomas que trazem tantos problemas.

O tratamento é feito por condução e repetição.

Mesmo que esta fobia acabe por desaparecer, podem acontecer recaídas se a pessoa evitar o que teme de maneira sucessiva.

É preciso, depois do tratamento, continuar a frequentar os lugares antes temidos para que o risco de desenvolver o mesmo quadro seja diminuído ou extinto. Porém cabe salientar que não existe cura definitiva. Mesmo que a pessoa passe meses, anos, décadas sem apresentar qualquer sintoma, nada garante que ela não passe por aquilo novamente. Por isso a recomendação de frequentar periodicamente os lugares que antes do tratamento eram evitados.

Hoje em dia um método que tem sido bastante usado é o de realidade virtual.

A pessoa usa em terapia aqueles óculos de realidade aumentada, muito usados em videogames e simula o ambiente que ele evita por medo.

Mas cabe ressaltar sempre que não se deve ser indiferente a pessoa que é claustrofóbica nem forçar que ela enfrente seu medo.

Pode ocorrer uma crise severa com potencial de problemas graves de saúde como um infarto por exemplo.

Embora a raiz do problema seja mental, psicológica, os sintomas são físicos mesmo. Sem falar que quando o fóbico se sente ameaçado, ele fará de tudo para sair dali podendo até agredir outras pessoas ou machucar a si mesmo.

Ao se deparar com uma crise de claustrofobia, lembre-se de respirar de maneira mais lenta e profunda.

É aconselhável não forçar a entrada ou permanência no local aonde a crise começou. Principalmente se a pessoa nunca procurou ajuda psicológica, o cuidado em conduzir o claustrofóbico para fora é essencial.

Claustrofobia

Fora do ambiente de crise e promovendo uma respiração mais pausada e profunda a tendência é a diminuição dos sintomas.

Caso a pessoa não consiga se mover, esteja em choque, é recomendado solicitar uma ambulância ou ajuda médica.

Se você conhece alguém que parece sofrer ou já seja diagnosticado com Claustrofobia, siga estas dicas e tenha paciência e cuidado nas atitudes para não piorar ainda mais a situação.

Lembrar a pessoa de respirar fundo, conversar calmamente, mostrar um caminho para sair dali com calma, acalmar a situação e conduzir a pessoa para outro ambiente, com menos pessoas, mais espaço vai ajudar bastante a contornar a situação temporariamente.

É importante encorajar aquele que sofre de Claustrofobia de buscar ajuda profissional com o psicólogo ou médico psiquiatra o quanto antes.

Além da vida social e profissional que é comprometida, a própria saúde está em risco a partir do momento que nem um exame mais complexo de raio X ou ressonância a pessoa consegue fazer.

Sendo assim, são de suma importância o tratamento, a psicoterapia e a medicação usada corretamente sempre com acompanhamento.

O início da psicoterapia é realmente mais complicado. É difícil para qualquer pessoa que sofre com algum tipo de fobia acessar o agente desencadeante do medo. Isto porque a angústia, o sofrimento não pé fruto da imaginação. Está ali, é real.

Como diria o compositor Caetano Veloso: “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Toda existência tem sabores e dissabores. Cabe a nós explorar a nós mesmos da melhor maneira possível a fim de promover mais saúde e equilíbrio a cada dia.

Muitos não conseguem nem imaginar o lugar fechado, o local que ele vivencia um medo tão intenso. Mas é preciso persistir porque o profissional sabe exatamente como trabalhar a história de vida, a personalidade, o histórico familiar, os conteúdos e significados que a pessoa traz para si de forma consciente ou inconsciente.

Todo este processo vai levar um tempo e precisa da dedicação dos dois: paciente e psicoterapeuta. É uma troca de informações e dedicação mútua para que o trabalho seja realizado com segurança e firmeza, mas ao mesmo tempo com muita paciência e perseverança.

Toda e qualquer oportunidade de conhecer a si mesmo, enfrentar suas dificuldades e medos deve ser aproveitada a fim de melhorar ainda mais a qualidade de vida e poder aspirar novas conquistas e empreender objetivos sem medo de ser feliz.

 

Psicólogo Flaviano Silva CRP 05/56349
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