Uma das qualidades que mais tem a ver com a autoestima é a autenticidade. 

Quando se acredita em si mesmo, nas suas preferências não necessitando buscar se encaixar sempre nos padrões sociais estamos exercendo a habilidade de sermos únicos. 

Ser autêntico significa estar em harmonia com nossa identidade pessoal. 

É estar conectado com o que se gosta, com as próprias preferências e ter suas críticas em equilíbrio sem medo de mostrar-se. 

É a capacidade de eliminar as máscaras que acumulamos ao longo dos anos temendo um julgamento que poderia nos colocar em situação inferior frente a uma situação ou grupo de pessoas. 

Para ser autêntico, devemos entender e agir em contato direto com nossa própria personalidade. 

Passamos grande parte de nossa vida até a adolescência, mais ou menos, lutando para encontrar nossa própria identidade. 

Para isso, passamos por convivências diferentes, grupos de pessoas distintas que passam por nós e sempre deixam algo de novo. 

Um gosto, um jeito de se comportar, valores, atitudes, que podemos trazer também para nós ou não. 

O processo de receber, elaborar e utilizar ou descartar características e opiniões é que vai fornecer as bases para a construção de nossa própria identidade, nossa originalidade. 

Somos uma grande mistura de vivências que se moldam o tempo todo de acordo com nossos valores, crenças, cultura e experiências que passamos. 

O processo envolve a capacidade de discernir entre o que é adequado ou não para mim. 

Isto quer dizer que para se cultivar a autenticidade devo ter também a habilidade de discordar de outras pessoas. Mesmo que estas pessoas sejam muito especiais para mim de alguma maneira. 

O autêntico sabe reconhecer o valor do outro, de seu trabalho, de sua pessoa, mas não vai repetir um comportamento só por admirar este alguém. Ele mantém suas próprias qualidades e habilidades e as utiliza assim, do jeito que são. 

Para assumir que não sabe algo sobre determinado assunto é preciso ser autêntico também. Ou seja: autenticidade é uma qualidade que mostra a humildade na medida certa. Eu admito que não sei e não tenho problemas com isso, pois posso aprender. 

Manter uma opinião mesmo quando uma maioria diz exatamente o contrário, é uma característica autêntica.  

No mundo corporativo e social esta capacidade de ser original, de se manter fiel ao que se pensa, gosta e ao mesmo tempo manter o bom senso de mudar ou não de opinião mostra o quanto você consegue se adaptar e ser único, sem viver dentro de um molde de comportamento. 

Se mostrar à vontade mantendo o seu jeito de ser é o que inspira confiança nos outros, passa a imagem até de autoridade moral, que é aquela postura de alguém que inspira respeito e empatia ao mesmo tempo. 

Mas como fazer para ter autenticidade no meu dia a dia? 

Todos somos mais ou menos autênticos. Mas existem algumas dicas que nos ajudam muito a reforçar esta característica de personalidade que é muito valiosa tanto para contribuir com suas próprias ideias, quanto para se manter em paz consigo mesmo frente a tantas diferenças no mundo. 

A primeira coisa que devemos buscar para reforçar a autenticidade é conhecer a nós mesmos. 

Voltar-se para si, perceber o que eu gosto, como eu prefiro, quais comportamentos em mim que eu admiro, quais habilidades que tenho e que devem ser reforçadas, etc. 

É justamente este contato íntimo com o que somos que vai nos dar mais confiança na hora de recusar uma bebida porque não gosto ou sugerir um tempero que eu sei que é muito bom sem ficar hesitando o tempo todo imaginando o que vão pensar de mim. 

Aliás, este medo de não ser aceito é o principal agente boicotador de autenticidade. 

Aprenda a transformar este medo em algo útil.  

Você não será escorraçado de um lugar se começar frases como “admito que eu não sei como se faz isso”, “ se você soubesse como eu adoro (ou não) isso…” são formas de colocar o medo para fora.  

A partir do momento que sabemos nos expressar com educação, gentileza, clareza e sem faltar com a verdade sobre nós mesmos, entramos em um processo muito saudável de nos aceitar e nos mostrar como somos sem medo de parecer ridículos ou ignorantes. 

É preciso estar em harmonia com suas próprias emoções e assumir as consequências disso. Isto quer dizer que sempre alguém vai discordar, vai querer te convencer do contrário e estes tipos de situações são perfeitamente aceitáveis, esperadas.  

Uma discordância jamais deve ser vista como enfrentamento, como uma disputa de poder. São apenas diferenças. 

Ao mesmo tempo que o seu jeito de ser e de pensar pode incomodar alguém, ele pode despertar também admiração e empatia. 

É assim que funciona. Uns vão gostar de você e outros não. E está tudo bem. Afinal de contas você também não ama todo mundo, não é mesmo? 

Faz parte do ser autêntico aceitar que uma pessoa pode simplesmente não gostar de mim e conviver com isso.  

O comportamento alheio não pode mudar o seu jeito de ser. Pode, no máximo, lhe ensinar como se portar diante dele.  

É preciso aprender a admirar nós mesmos. De maneira equilibrada, admitindo defeitos e qualidades como partes importantes de nossa personalidade. 

O amor próprio é que vai determinar o quanto assumimos quem somos, o quanto somos verdadeiros e autênticos. Sem traçar joguinhos mentais para passar a impressão de que sou isto ou aquilo. 

É muito desgastante representar o tempo todo. 

Óbvio, em determinados momentos temos de nos comportar conforme o protocolo da situação. 

Se sou alguém com senso de humor apurado não posso fazer piadas o tempo todo; se gosto de trabalhar ouvindo música alta não posso fazê-lo incomodando os outros, se eu gosto de tomar uma cerveja e alguém detesta bebida alcóolica, basta fazer pedidos diferentes. 

A autenticidade é expressar quem eu sou sem invadir o espaço do outro. 

É um celebrar-se a todo momento através do equilíbrio nas ações e reações. 

Quando tomamos a decisão de ser autênticos passamos para a fase do autoconhecimento, auto aceitação e, consequentemente, a autoconfiança. 

Isto significa perceber e enxergar o próprio valor em ser único sem a necessidade de agir para agradar aos outros. 

Carregamos em nossos processos psíquicos um conflito constante entre o que realmente queremos e o que achamos que a sociedade espera de nós. 

Em termos psicológicos, estamos falando da eterna batalha entre o id e o ego. 

Foi Freud quem nos ensinou que nossa mente possui estruturas internas como o idego e o supergo. 

id é formado pelos nossos impulsos mais básicos, como a fome, a libido (desejo sexual), agressividade, paixões. Basicamente é a parte da mente que coloca nossos prazeres como prioridades. 

Mas como não podemos sair por aí fazendo tudo que queremos sem filtro nem regra alguma, temos também o superego. Este não nasce conosco, nós vamos construindo aos poucos de acordo com as regras sociais, o senso de certo e errado que vão justamente controlar a parte impulsiva do id. 

Já o ego, é a própria identidade. Esta parte da mente é como se fosse nosso “intermediador” entre o que eu quero e o que eu posso fazer. 

ego trabalha somente com o que é real para que seus desejos sejam satisfeitos, porém, dentro das regras definidas pelo superego. 

Ou seja, o ego é o equilíbrio entre o impulso e a moralidade. 

Esta estrutura de nossa psique pode nos explicar muito bem como funciona nossa autenticidade. 

Temos nosso id, que traz nossos impulsos mais puros, sem filtros. Estes passam pelo supergo para que não possamos cometer atos absurdos ou até mesmo crimes e por fim, nosso ego é o responsável por equilibrar quem eu sou com o quem eu posso ser. 

Quando passamos a agir mais pelo superego, vivemos sempre tentando agradar aos outros. Permaneceremos sempre na posição de “aceitável” ou “seguro” abrindo mão de nossos próprios desejos devido a imposição que absorvemos direto da sociedade como o “certo” ou “adequado”. 

O nosso ego é importante porque é ele quem nos permite demonstrar nossa personalidade filtrando os desejos do id no senso moral fornecido pelo supergo criando um equilíbrio onde quem sou, o que quero e penso é preservado e expressado adequadamente. 

O problema vai acontecer quando preferimos permanecer nos moldes sociais sem buscar nossos próprios impulsos ou desejos que constroem nosso verdadeiro perfil. 

As pessoas autênticas possuem características marcantes em sua personalidade como por exemplo: 

  • Sabem ouvir as opiniões alheias e expressar as suas próprias: usam um filtro eficiente, que lhe permitem ouvir opiniões contrárias, críticas e feedbacks sem se sentir magoados o tempo todo ao mesmo tempo que expõe o seu ponto de vista de maneira respeitosa; 
  • Suas decisões são tomadas de acordo com suas próprias referências e expectativas: por saber exatamente do que gosta ou não, o autêntico tem maior facilidade na hora de fazer escolhas. Sua objetividade e assertividade estão alinhados com seus desejos e não permitem que os outros tomem decisões por ele; 
  • O autoconhecimento é constante, não para: para se manter autêntico o conhecer-se é de suma importância. Por isso sua própria história de vida, exemplos e experiências são sempre revisados; 
  • Pelo que acreditam, se arrisca: para ser autêntico é preciso sair da zona de conforto, se arriscar. Mesmo que isso possa parecer “coisa de louco” frente aos outros. A vulnerabilidade e a coragem trabalham juntos; 
  • Filtram as opiniões: é preciso ter uma noção bem clara sobre quais opiniões realmente fazem a diferença. Manter opiniões de alguém que você não admira (mesmo que discorde desta pessoa, ela pode ser alvo de sua admiração) ou que não faz o que prega ou diz não é uma atitude válida para o autêntico; 
  • Sabem dizer a verdade com respeito e assumem os resultados disso: o autêntico jamais será o “João Sem Braço”, ou seja, aquele que é escorregadio, que nunca dá sua opinião a fim de passar desapercebido. Ele sabe dizer o que pensa, sem grosseria ou arrogância assume a responsabilidade de suas opiniões e atos; 
  • Sabem valorizar-se: admitir que se tem uma qualidade ou habilidade não é ser arrogante. É ser capaz de se enxergar claramente. Orgulhar-se de si não é uma postura condenável quando se sabe reconhecer suas próprias capacidades e oferecer o se tem de melhor. 

Existe um engano ao entender que a pessoa autêntica é aquela falante, que se mostra o tempo todo. 

Isto é uma pessoa extrovertida.  

Os introvertidos podem tranquilamente ser autênticos mantendo sua postura mais calada mesmo sendo cobrada a falar mais ou a se expressar mais abertamente. 

Ela funciona assim, está bem com isso e pronto. É a sua essência. 

Autenticidade é cultivar as habilidades que você tem como positivas para a vida que você pretende levar. 

Ao trabalhar sua autenticidade você pode manter relações interpessoais mais verdadeiras e satisfatórias. 

Aquela sensação de precisar de aprovação dos outros o tempo todo se esvai aos poucos e você passa a ter mais firmeza em suas atitudes e pensamentos. 

Sua capacidade de escolha será otimizada porque através do autoconhecimento você se baseia em seus próprios valores, cria um caminho próprio para relações saudáveis que permitem que você compartilhe de suas próprias vivências com aqueles que estão alinhados com o seu jeito de ser, com a sua essência. 

Sua jornada pessoal o torna especial justamente porque o torna único. Seguir os próprios valores, desejos ou planos vai poupar você de passar por muitas frustrações. 

Mas é preciso entender que não é em um estalar de dedos que você vai se transformar em uma pessoa autêntica. 

Como já dissemos no início, trata-se de um processo contínuo de autoconhecimento e valorização de si. Leva um tempo. O SEU tempo. 

Uma “reciclagem” de pensamentos e opiniões, atitudes serão necessárias.  

Abrir mão de comportamentos ou posições que antes você acreditava que eram de extrema importância faz parte do processo. 

Reavaliar o quanto alguma pessoa é importante para você e rever suas opiniões e pontos de vistas. Isso pode até levar a reavaliar quais pessoas realmente devem fazer parte de sua vida. 

No processo de se permitir ser autêntico é normal perceber que algumas pessoas já não combinam mais com você hoje em dia. Não estão mais alinhadas com o que você pensa ou quer de sua vida. 

No lugar destas pessoas, outras poderão entrar de acordo com o seu novo critério criado a partir de sua autenticidade. 

Enfim, a autenticidade é estar de bem consigo mesmo. 

Como nos dizia o famoso escritor irlandês Oscar Wilde: Seja você mesmo; todos os outros já existem. ” 

 

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